sexta-feira, 13 de março de 2009

Sonhador despertado

Sonhei um dia que era um apaixonado...mas quando acordei, vi que mais uma vez era um sonho! E ninguém teve culpa disso, além de sonho, a idealização foi nutrida por mim, portanto, a culpa foi minha. Eu reconheço. Viver algo que não existia era fantasia, loucura, insano. O problema foi meu mesmo, pois me permitia a coisas e me dava a liberdade de agir quando quisesse. O pior é que as pessoas invadidas não interrompiam essa minha ação. Permitiam que eu fizesse o que talvez elas não queriam, ou se queriam, queriam do modo efêmero, gerando assim nelas a prática do medo de magoar por saberem como sou. Eu ia aonde queria, como queria, mas também caso percebesse que estava incomodando alguém, ali mesmo eu parava.

E foi aí que errei, pois me excedi involuntariamente, ou não, até porque não me pararam, me deixaram agir e me embriagar naquilo. Acreditava eu que dessa vez tudo era natural e estava acontecendo a passos firmes comparados aos de quem escala uma montanha rochosa? Exagerado, sim, mas consciente do que já fiz e do que a vida estava me ofertando em resposta às práticas passadas. Tanto que pedi para não ser castigado denovo. E pensei que isso seria finalmente efetivado desta vez, até porque pedi para ser inocentado, ficando isento das mesmas penalidades de sempre, sem me omitir como em todos os outros sonhos, quando sabia do risco que corria e ficava como que à espera da certeza do que sempre aconteceu...pobre menino inocente, engenhosamente ingênuo. Sem perceber que poderia estar desagradando, não parava de me satisfazer embebido num raro prazer, sem saber estar confundindo fel e mel.

Pois é, novamente castigado pelo destino, pelas irônicas e certas colheitas do que plantei. Quisera eu um dia acabar esse castigo. Porque é castigo, eu sei. Assim como sei também que a culpa sempre é minha por não ter freios, ansiar a fantasia e as sensações que ainda não existem. Deveria pelo menos lembrar a prática da ponderação para que esse impulso ou instinto fosse mais ameno ou possuísse o mínimo de racionalidade. Mas a assumo, maldita culpa. O que parece faltar é a passagem do comando emocional, impulsivo ou instintivo para a razão, já que isso insiste em não deixar o coração, persiste em habitar nessa cartola mágica de dentro do peito.

Desculpa aos que participaram deste sonho por minha determinação involuntária ou vontade abstrata, estava desacordado, inconsciente. Talvez se estivesse lúcido iria lembrar que um preço ainda estava sendo pago, portanto, êxito ou êxtase, seria algo escasso para tal momento vivido (ou sonhado) nesse sonho. Poderia dizer que os figurantes, protagonistas ou coadjuvantes do sonho foram alheios ao sonhador, permitiram mais uma mágoa a esse ser eternamente iludido, mas reitero a questão da culpa. Minha! Após a sonolência, quando erguem-se os olhos perante à realidade a reflexão sempre vem e torna tudo mais duro e difícil, porém real e plausível. Além das desculpas já reparadas aos que interagiram intrinsecamente com o sonhador, aqui vai um muito obrigado, sincero e singelo. Se não fossem essas pessoas, não teria aprendido nada, estaria na estaca zero e a cada novo sonho as experiências no mundo real seriam também cada vez mais frustrantes, desconhecidas e fantasiosas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Meteorologia de um solitário

Sol e folga
Calor de sobra
Quisera os dias atrás
Persistir e eu aproveitar
Aquele frio e calmaria
Do clima do inverno
Sob o aconchego de uma boa companhia
Com a ternura do terno
Do pleno satisfeito em sua alegria
Todavia
Nunca tive este certo
Fizesse chuva, sol ou ventania
Sempre fui único, solícito e desértico

Porém, solto, mas só
A liberdade não me interessa
A solidão é pior
Maior
Aprisiona
Toma conta de uma festa
Que nem sei festejar
Mesmo livre, o que comemorar
Se apenas tenho lembranças e anseios a me acompanhar
Se o calor preferido
O contato desejado
Não é o do sol à pino
Não é o da brisa e do vento gelado

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Uma saudade, outra ausência

Nos vários e vagos pensamentos intensos
Dos vagos e vários intervalos diários
Rememoro o calor daqueles momentos
Calorosas sensações dos toques e afagos

Sonho em eternizar essa efemeridade
O desejo de segurança da tua companhia
Apenas sonhar e saber que te tenho na instantaneidade
Não acalenta e desespera o começo de uma alegria

Me encontro de repente perdido no meio dessa aérea reflexão
O complicado retorno, a realidade presente
Aproximar-se do solo, sintonizar a imaginação, a razão do chão

Cessar o pensar de ti: incoerência ao ser meu
Insanidade que não corresponde ao sentir do meu eu
Contrário à ânsia de querer repetir instantes ao lado teu

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sonhos & Sentimentos

São os sentimentos que arrebatam a alma
Colocam;
Transferem a verdade real pela subjetividade.
O material pelo virtual

São os sentimentos
Óleo derramado em nossas águas turvas;
Acalma
Apazigua
Doma ou inflama
Os mais primitivos instintos

São brandos os porres de realismo súbito
E surrealismo híbrido
Os sonhos, âmagos dos sentimentos
Projeções do realismo hedonista

Efemeridades satisfatórias
Representações do íntimo
Inconsciente

(Zé Cidão & Márcio Moura em 17/12/2008)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Que os chips apenas contribuam, jamais substituam

Século 21, era da tecnologia (e da nanotecnologia), chips e circuitos em disparada e o velho amigo milenar da intelectualidade humana, o livro, permanece como alternativa aos novos meios, agradando aos adeptos da leitura tradicional e também como fonte mais adequada para as pessoas que assim preferem. Mas o mundo gira, os livros acompanham tudo, os circuitos e controles de longa distância aparecem e se modernizam a cada ano – ou mês até – e surgem assim novas mídias.

Uma recente criação tecnológica resolveu fazer a junção da tecnologia e dos livros. Não, não é um livro que ao ser aberto pronuncia um áudio e conta toda a história. Muito menos trata-se de um livro touch screen que abre uma tela virtual na sua frente e narra a história com a demonstração de uma animação ou uma espécie de trailer do livro. Além de virtual, a literatura passa a ser interativa com essa nova invenção.

Um dos grandes clássicos de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, detetive bem sucedido e por isso famoso em pleno século XIX, vai dar formato a um novo jogo virtual, o Sherlock Holmes: Nemesis. O jogo inicialmente está disponível para o PC, mas o Nintendo Wii vai ter sua versão também. Além desse, outros sucessos literários conhecidos mundialmente irão ocupar o espaço virtual, como é o caso de “Evil under the Sun, “Morte na Praia” e “Death on the Nilo”, “Morte no Nilo”. Todas publicações de cunho investigativo.

A literatura ganha, comprovadamente, uma importante ferramenta a partir desse novo jeitinho de se divertir. Dá até pra imaginar o Sítio do Pica Pau Amarelo ou um clássico de maior renome, como por exemplo, Iracema, todos na telinha do computador de maneira interativa. Não que seja ruim, mas abre novas possibilidades de aproximação com o público leitor e também favorece uma nova classe ou adeptos da rara leitura. Ler pode mesmo ser muito mais interessante do que se imagina. Principalmente se surgir algo inesperado, como “Best Sellers” diferenciados e obras rotineiras mundo afora, como por exemplo, da linhagem de autoras como Bruna Surfistinha e Syang.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Direito popular sagrado

Um direito democrático deturpado não pelo agente principal no núcleo popular, mas pela inconsciência de alguns agentes que se consideram alheios a esse grande núcleo. O voto é sinônimo de participação, de exercício de cidadania. Especialmente porque o Brasil vive um regime democrático.

Democracia é a doutrina político-social que se baseia na soberania popular e no poder igualitário. Para tal, os membros que a compõem devem participar ativamente de todas as decisões que venham a ser tomadas, sem que os interesses coletivos, da maioria ou da minoria sejam desprezados. Democraticamente o voto é a ferramenta mais poderosa de um eleitor, pois é a partir dele que os anseios da sociedade podem ser conquistados legalmente ou institucionalmente. Isso se daria na prática se o eleitor, em especial o brasileiro, tomasse ciência de sua importante obrigação como cidadão, como integrante de um grupo que em sua maioria concentra a inconsciência político-eleitoral.

Proveniente da escassez de consciência, a descrença na política e nos seus representantes ganha espaço, gerando diversas formas de voto. Há os que votam defendendo seus próprios interesses, contrariando o processo que objetiva a escolha dos líderes da coletividade. Existe também o eleitor que se omite e que vota nulo ou branco, se posicionando independente de qualquer dever cívico. Mas é esse mesmo eleitor que após as eleições, durante o decorrer do mandato, quer espaço, voz, garantia de direitos e realizações efetivas de maneira instantânea.

Como participar de um governo se ele não participou do processo inicial, o eleitoral? Como exigir se ele ao menos exigiu de si próprio? Dessa forma ele não pode esperar ações públicas que atendam as suas expectativas, mesmo que individuais. Isso porque dele foi esperado, mas de partiu apenas a inércia, o desprezo pela democracia, o nada. No mesmo grupo de eleitores inconscientes aparece o partidário fanático, que vota fielmente apenas em candidatos de determinado partido, arrastados pelo fanatismo de parentes, amigos ou quaisquer que seja a influência sofrida. O pior em casos como este, comuns ao interior do nosso Brasil, é que mesmo assim, sendo fiel a uma sigla, o sujeito nem ao menos se interessa em examinar a cartilha do partido, muito menos a prática do seu representante, que pode ser contrária ou desafinada à teoria daquela legenda. A maioria desses eleitores não lembra sequer dos feitos do seu representante. Não fazendo a análise entre o candidato e o partido com sua ideologia tudo se torna um imbróglio só. Assim segue a vida inteira favorecendo um só campo político formado muitas vezes por grupos de famílias ou empresários mal intencionados, detentores de redutos eleitorais, ou mais precisamente currais, que durante a sua passagem pela política não dão mínima importância ao conjunto de experiências que uma pessoa sujeita a seguir tal carreira necessita ter e exercer.

Sem o resultado final que é o acúmulo de experiências exitosas, ou não, pois com o erro se aprende, essa prática (a) política denominada em alguns casos como coronelismo, perpetua-se entre gerações, apresentando-se com maior freqüência onde o eleitorado é humilde, sem estrutura financeira e empírica no que corresponde ao mínimo de conhecimento e base escolar. Se bem que a nossa escola sempre ensinou o mesmo bê a bá, nunca direcionado ao amplo crescimento do ser humano, mas sempre ao limite estratégico das elites. Agora é que começamos a ver isso mudar, mas nada de expressivo ou transformador, até porque trata-se de uma tarefa de longo prazo.

Há ainda um certo voto que se utilizado conscientemente não resulta em conseqüências negativas. O voto de protesto torna-se mais freqüente a cada eleição, mas usado na maioria das vezes erroneamente. Sendo para protestar contra algo inconstitucional ou alguém irresponsável, com a avaliação da conjuntura, pode até passar a impressão de caso isolado e insano, mas no fim é o que pode favorecer o próximo mandato executivo ou legislativo. Caso contrário, no final nada vai passar de um favorzinho aos incapazes de exercerem cargos públicos, pouco interessados em ajudar a sociedade. O voto de protesto com consciência propicia a mudança. É sim um voto de renovação, que deve ser usado em última instância quando da necessidade de purgar um cenário político.

Diante disso, portanto, acredito ainda que o que não se estabelece no consciente eleitoral em sua maioria acachapante, é o sentimento coletivo, o desejo de decidir, participar e efetivar a patente de cidadão que é um legado do povo brasileiro. Um legado suado, porque não dizer sangrento, que foi conquistado por outras pessoas em recente passado.

O voto além de ser apenas um direito que ninguém tira, atestado pela Constituição, é poder. O direito de decidir é sagrado perante a sociedade e se o eleitor permite que outros decidam por ele o resultado pode não ser tão satisfatório. A conscientização deve estar presente em todos os lugares, pois todo esse trabalho é apenas parte do que chamamos de política, forma de organização, algo que todos almejam em seus ambientes.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Tarcila...simples assim!

Excêntrica sempre
Deusa da positividade
Amável e doce eternamente
Digna de toda amizade
Dos presentes nas rodas de prosa
Musa de uma feliz tropa
Senhora da essência pura
Amiga de bar, amiga de sempre
Amo essa mulher criatura
Pelo sempre, pela gente
Por gente e por uma postura
Adoramos multuamente
O ser humano em suas múltiplas
Facetas, idéias, práticas
Qual for o dom e estatura
Ela agrada a todos os pares
Motivo de sua ternura
É Tarcila a menina do rio
A conhecedora dos diversos ares
Restrita pois ao ar frio
Avessa aos mil males.


"Porque há pessoas que entram na vida da gente e a partir dos poucos minutos de convivência numa conversa boba jogada fora, temos a certeza de que essas figuras nunca mais sairão de perto da gente. Distância pode haver, mas o reencontro é sempre eufórico e as novidades acumuladas. E mesmo assim, se o reencontro tarda, o coração ajuda a preencher a lacuna. Para todas e todos que por aqui passaram, dessa maneira e com essa importância, um agradecimento em formato poético, representado por essa pessoa que também ganha uma representação em letras"

terça-feira, 22 de julho de 2008

Por nós

Se tem que ser assim, vai
Contigo leva minhas angústias
Segue
Carrega as nossas lembranças
Caminha
Procura a melhor trilha, precaução com pedras, espinhos
Confia no vento, no orvalho, na chuva
Prossegue
Continua tua trajetória
Atmosferas opostas, união impossível

Volto
O olhar para mim, a atenção
O interior, o ego, o eu
Retorno
Talvez a solidão seja a companheira, como sempre
Fico
Enormes são
A frustração, a decepção, a desilusão de cessar
Cesso
Mas permaneço com a esperança
O desejo pela renovação, dedicação ao vindouro

As circunstâncias
Milhares
Indicaram esse cenário nunca traçado na imaginação
Constatação do inesperado, da surpresa do indesejável
Separação, despedida, inconsolável decisão, atitude
Os fatos
Frente a frente, seqüenciados, constantes
Desenhavam a realidade, sublinhavam o verídico
Os sentimentos
Humanos, carnais, espirituais
Fortes
Manipulavam a visão, proibiam a percepção

Vai
Torna-te feliz, livre ou não
Só ou não, tu serás sempre ser do meu ser, essência meio minha
Segue
As lembranças, leva, deixa, recorda eventualmente
Descarte-as, preserve-as, critério teu
Estou e sempre estarei abastecido delas, do inesquecível
Caminha
O destino, equivocou-se, o seu, o meu, provavelmente os dois
Distorções casuais, entrelaçaram-se
Prossegue
Encontre-se em algum momento, no longo percurso ache o que procura
Caso não encontre, caso não perceba
Na demorada e firme persistência, acredite, aposte e persista até no incerto certo
Pare, retorne, caminhe na direção simultânea a minha: nós
A felicidade sempre esteve presente, aqui, só você não se deu conta
Desperdício de tempo, mas total liberdade à ti, concessão difícil, sacrifício, para que tu soubesse,
Mesmo em atmosferas opostas, haverá união possível, companheirismo, saudável e feliz.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Libido em Trópicos

Temperatura de um nuance
Musicado
Quentura e muito romance
Temperado
Tava esfriando,
Você chegou.
Costurei amor
Com as
Linhas
Do Equador.
Fez calor,
A miscelânea se mostrou
Tropicalismo brasileiro
Semba africano rolou.
Corpos já não mais inertes,
Embalando-se no fervor.

Thiago Queiroz & Zé Cidão

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Amar para compreender...compreender para amar

Amar é muito mais fácil do que entender. Fiz isso, o “amar”, e depois segui para o ''entender'', fase mais complicada que jamais ousei iniciar em um processo a dois. Você era alguém que eu queria entender, portanto, alguém muito mais relevante que veio a cruzar o meu destino. Entendo que a sua pessoa, por esse motivo, incitou uma reflexão maior sobre o que de fato quero e por isso foi quem me levou a um estágio mais elevado em se tratando de uma relação mais íntima entre duas pessoas. Mas assim como a fé, o amor é um sentimento que está no ápice das mentes e corações, sendo complexo e infinito, talvez por isso seja tão inefável assim. O que já houve foi massa, excelente. Do meu ponto de vista, jamais fui tão feliz com alguém em breves minutos, mesmo tendo que escutar posteriormente que deveria esquecer o que aconteceu e que deveríamos ser apenas amigos, sem falar na pedra no sapato! Jamais esquecerei algo ocorrido e principalmente você. O tempo é o senhor do destino e espero contar com ele para um dia te provar o que pensei, senti e almejei! Amar é muito mais fácil do que entender. Sabe por quê? Por que a gente quando ama assume um sentimento semelhante à fé, complexo e inefável, portanto querer entender sempre é algo além. Amar é sempre pioneiro em relação ao compreender. Contigo não, fiz questão de tentar entender, ou seja, assumi um estágio mais elevado, um nível maior na tentativa de interação e na reflexão, eu acredito. Percebo que pude estar equivocado, mas em nenhum momento a intenção de te entender deixou de ser fiel ao compasso do amar. Tu não tens noção do que é deitar e acordar com o olhar voltado para dentro de si. Estou numa fase que nunca pensei atravessar, atingi o ápice do meu ser e tenho certeza que mesmo saindo perdendo, sem algo nessa história, algo em mim vai mudar, positivamente. Algo vai ser benéfico, vai acrescentar pra melhor, vai me ajudar a evoluir e ainda me fazer pensar, agir e interagir diferente. Não vou esquecer nada do que aconteceu, serei apenas seu amigo, se assim preferir, e jamais vou querer lembrar-me de “pedra no sapato” de seu alguém, ou de seu ninguém. Só agradeço, de verdade. Com certeza você me mudou um pouco. Amar: mais fácil e rápido. Quando falo em deitar e acordar com o olhar voltado pra si, para o interior, não se trata de uma atitude egoísta, trata-se de querer construir, evoluir e deixar seu aspecto em sintonia, em sinergia com o da outra personalidade. Para que sirva como um molde, permitindo se encaixar na outra pessoa. Yng Yang. Uma dedicação e envolvimento à outra essência que nos deixa assim, sensíveis até ao modo dela falar. Ninguém jamais vai ter noção dessa minha busca, desse aprimoramento, acho que apenas o Cara lá de cima com quem tenho contado muito esses últimos tempos. Dá medo pensar que algo tão forte e jamais tido dentro de minha concepção de relacionamento afetivo passe apenas por uma fase que mais tarde se apresente como efêmera e/ou decepcionante. Jamais. Além de não querer isso, lutaria contra toda conspiração que ousasse me impor tal conclusão, sem medo algum de estar equivocado, pois conceitos/concepções do certo/errado a gente bem sabe que não existem. Até sempre. Fiquemos com Deus. Agora digo que algo se fortalece a cada dia. Amo!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sextas-feiras

Entorpecentes sextas-feira
Embriagado pela impulsividade
Responsabilidades ao extremo
Louca vontade de saborear a felicidade

Tortura
Libido, perversão e amargura
Problemas, comentários
Assuntos diários

Desejo de permanecer
A obrigação
Obedecer
Hei de um dia
Sem restrição
Acompanhar até o anoitecer
Esse encontro semanal

As entorpecentes sextas-feiras
Casuais, informais
Quando o nicho de amizade
Finalmente celebrava
Após uma semana de aulas da faculdade
A maior forma de relação humana
A amizade

Ah...pena se despedir tão cedo
Levantar da mesa,
Um desalento, uma falta de tento
Aos prazeres da vida
Uma forma de defesa
Pro estágio, trabalhos, provas e seminários
Mas estaremos sempre aqui, com certeza
Mesmo dia, mesmo horário
Em nome da nossa amizade
Laços e afinidade

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Seu Rei Momo mandou me chamar


RecifOlinda 2008

Pernambuco Nação Carnavalesca

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pela história de uma sertaneja

Na última segunda-feira li um artigo no Jornal do Commercio de autoria de um cidadão anônimo, mas que soube sair de seu anonimato no momento certo para homenagear, ainda que tardiamente, uma das mulheres (também anônima) mais fortes do sertão central de Pernambuco.
Trata-se de dona Odília, viúva de Raimundo Jacó, o vaqueiro cantado por Luiz Gonzaga e que tem em sua homenagem a realização de um evento que já ganhou dimensões internacionais, a Missa do Vaqueiro. Dona Odília foi fazer companhia ao marido vaqueiro. Faz pena saber que o véi Lua também não está mais por aqui, pois com certeza faria a versão feminina da canção que dedicou ao vaqueiro quando de sua morte começou uma das mais famosas toadas, o "tengo lengo tengo lengo tengo lengo tengo", a "Morte do Vaqueiro".
Agora nem aboio e toada, nem a canção, nem o cantador, nem o vaqueiro e nem viúva...mas no céu, já pensou? A festa está zuando e o véi Lua preparando artesanalmente com seu fole uma nova cantiga pra fazer valer a pessoa que foi dona Odília. Parafraseando e proseando, o trio deve estar botando em dia as causos, as tantas comemorações juninas que festejaram durante todo este tempo separados, as lendas e trancosos e principalmente contando as cabeças de gado e observando as galinhas ciscando aos pés enquanto celebram mais uma vez o encontro de conterrâneos sertanejos, mais uma daquelas festas que só o povo do sertão sabe como é.


Do Jornal do Commercio, 11/02/2008

Morte e vida no Sertão
Publicado em 11.02.2008
João Monteiro Neto*
joaomonteironeto@gmail.com

Desatino de nossos políticos e governantes.
O Sertão é o do Alto Araripe. A cidade, Exu, em Pernambuco. A localidade, Sítio Mandacaru, vizinho ao Sítio Chapada, onde há muitos anos atrás viviam Raimundo Jacó e dona Odília, no início de suas vidas de recém-casados. Todos esses sítios são circunvizinhos às cidades de Bodocó-PE, Granito-PE, Serrita-PE, Exu-PE e Moreilândia-PE.
Por nós essa região é denominada de Quadrilátero do Vaqueiro, devido a sua forte cultura popular -, com maior destaque para o artesanato, a poesia, a música, a dança (entre elas o forró) e a cultura do couro, a mais forte no Nordeste, por juntar força com a região fronteiriça do Cariri cearense (Juazeiro do Norte - do Padim Ciço -, Crato, Barbalha, etc.), cantada em versos e prosas por Luiz Gonzaga, amigo íntimo de dona Odília e João Câncio, fundadores e idealizadores da Missa do Vaqueiro, que se realiza em Serrita.
Após a morte de Raimundo Jacó, assassinado em 8 de julho de 1954, no Sítio Lajes, local onde se celebra a missa em sua homenagem, dona Odília foi residir no distrito de Rancharia, no município de Granito-PE. O que separa Rancharia do Sítio Mandacaru é um pequeno rio seco, que abriga a exclusão e a miséria, comum no explorado Semi-Árido nordestino.
Viveu ela ali sob violenta privação de alimentação e moradia, com a ajuda de alguns amigos que aquinhoavam ajuda nesse sentido pois, resignada e feliz, nada ela pedia. Com Jacó, dona Odília teve um filho, chamado Vicente.
No Sítio Chapada, em boa parte de sua vida, dona Odília esperava até semanas pela volta de Jacó - maior vaqueiro do Nordeste, que vivia “perdido”, dentro da caatinga, atrás de “boi fujão”, para ganhar alguns trocados para levar o sustento de sua família. A paciência e a fé dessa mulher é o símbolo das nossas “Severinas” vivas...
São 10h20 da noite de 27 de janeiro de 2008. Dona Odília agoniza no seu leito de morte, definha desnutrida e fraca, praticamente só, como vivera. Esquecida, aos quase 90 anos de idade. É assim que morrem as nossas “Severinas”...
Que fazer!?...
Aqui rendo minhas homenagens a essa mulher, que foi um exemplo de vida. E não poderia jamais deixar de registrar o gesto do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, nem deixar de citá-lo aqui, único político e chefe de Executivo, em todas as esferas de governo, a se solidarizar com a família de dona Odília e a história, fazendo justiça.
Já são 17h40 da tarde e os inúmeros amigos de dona Odília presentes à pequena Igreja de São Francisco das Chagas não querem que ela se vá... mas é preciso... e no chão seco e sagrado do Sertão, na vermelhidão do ocaso sertanejo de despedida, se ouve a pergunta que não quer calar: “O caixão fica virado com a cabeça para a entrada ou com os pés?” De imediato, vem a resposta lá do canto do campo-santo: “Do jeito que sempre viveu. Do jeito que entrou!”
E assim dona Odília entrou no céu: “com os dois pés”, como sempre encarou a vida.


» João Monteiro Neto é advogado das Fundações Padre João Câncio e João Monteiro Filho.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A história do princípio. Mais um aniversário do nosso município

Por sertanejo ser
Decidi esse histórico fazer
Pesquisei num saite da terra
E aqui postei sem pressa
Dezembro é mês de festa
No sertão central de Pernambuco
Aniversário de Salgueiro
Terra de gente com sangue guerreiro
Das conquistas mil
Do nosso Pernambuco bravio
Tudo começa em 21 de dezembro
Quando tudo se elencou
Vaqueiro cortando vento
Montado numa rês
Essa data é 23 do mesmo mês
Quando o menino se salvou
Achado debaixo d'uma sombra
Dona Quitéria não mais chorou
Seu filho tava de volta
A árvore matriz nossa
Frondosa e de grande valor
Fez a alegria do coroné
Triunfo a nosso favor
Por vontade de seu Manel
Ali renovava-se a fé
Nascia a capela
Salgueiro que era mato da caatinga
Mais tarde seria cidade bela
Graças a fé e esforço da família
Que um dia ali foi bem vinda


O Coronel Manuel de Sá tinha o hábito de sentar-se numa cadeira (tipo preguiçosa) para descansar, sempre que voltava de suas andanças. O pequeno Raimundo de Sá, seu nono filho, aproximava-se e ficava junto ao pai. Isso acontecia sempre.
Na manhã do dia 21 de dezembro de 1835, o Coronel saiu para visitar suas plantações e ao regressar a tardinha, como de costume foi sentar-se na sua cadeira. O pequeno Raimundo, não apareceu. O Coronel estranhando a sua ausência, procurou-o pela casa, nas redondezas e não o encontrou. Muito preocupado porque estava anoitecendo, havia animais ferozes na mata e também índios, ordenou a um de seus capangas ir a Belém avisar do acontecido e formar um grupo para ajudar a procurar o menino. Dona Quitéria, muito aflita, prometeu a Santo Antônio de Lisboa, que caso encontrasse seu filho vivo, construiria uma capela em sua homenagem.
Enquanto isso, o Coronel com o restante dos capangas e alguns escravos entraram na mata para procurar o pequeno Raimundo. (Como a criança desapareceu é um grande mistério - O fato é que entre a Fazenda Boa Vista e o local onde o menino fora encontrado há 02 riachos. Era impossível uma criança de três anos de idade atravessá-los). Todos se juntaram para procurar o menino.
Após dois dias e duas noites, no dia 23 de dezembro de 1835, um dos vaqueiros do grupo vindo de Belém encontrou o menino Raimundo são e salvo, brincando debaixo de um Salgueiro a 10 Km da sede da fazenda, fora dos limites da Boa Vista (próximo ao atual Estádio Municipal de Futebol, o Salgueirão). O Coronel Manuel de Sá, adquiriu estas terras e como havia prometido Dona Quitéria, a primeira capela fora construída, onde hoje, está a Matriz de Santo Antônio. No ano seguinte, a primeira capela que era de barro e coberta de palha fora substituída por uma de tijolos cobertas com telhas. (A Capela não foi construída exatamente no local onde o menino fora encontrado. Este local fica muito próximo a um riacho, que em época de chuva forte transborda cobrindo uma grande área e deixaria a capela parcialmente coberta).
A história do desaparecimento, o menino encontrado são e salvo, a promessa, isso tudo despertou a curiosidade e atraiu grande número de pessoas vindas de toda a redondeza. Muitos ficaram. Assim se formou a Vila de Santo Antônio do Salgueiro - Integrante da Freguesia de Cabrobó. Em 12 de maio de 1853, foi elevada à condição de freguesia, sob o nome de Santo Antônio do Salgueiro. Em 30 de abril de 1864, pela Lei Provincial nº 580, a freguesia de Santo Antônio do Salgueiro é elevada a condição de Município do Salgueiro, tendo como primeiro intendente o Major Raimundo de Sá (O filho do Cel. Manuel de Sá).
Em 1867 foi nomeado Intendente o Coronel Romão Filgueira Sampaio.
No período de 1870 a 1892, foram nomeados intendentes: Tenente Joaquim de Sá Araújo, Tenente João Leônidas da Cruz, Major Odilon de Barros Alencar, Major Aureliano Lopes de Barros, Major Antônio de Marins e Major Manoel de Sá Araújo. Em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, quando assumiu o primeiro Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, foi nomeado intendente de Salgueiro o Tenente Quincas de Sá, pelo General José Damião de Oliveira - Governador do Estado de Pernambuco e marcada a primeira eleição para prefeito.
No Início, 05 Distritos faziam parte do Município de Salgueiro: Sede, Serrinha, Riacho Verde, Conceição das Crioulas e Vasques. Serrinha foi criado em 02 de novembro de 1892. Em 11 de setembro de 1928, este Distrito foi elevado a categoria de Município. Pelo Decreto Estadual Nº 55, em 22 de janeiro de 1931 o Município de Serrinha foi extinto e reintegrado ao Município de Salgueiro. Em 27 de janeiro de 1934 o Distrito voltou a condição de Município. Em 31 de dezembro de 1943, houve a mudança de nome para Serrita. Riacho Verde, hoje conhecido como o município de Verdejante, recebeu este nome quando ainda era Distrito através da Lei Estadual Nº 952 de dezembro de 1934. Em 31 de dezembro de 1958, pela Lei Estadual Nº 3340, este Distrito passou a condição de Município, cuja instalação ocorreu em 25 de março de 1962. Atualmente Salgueiro possui os seguintes Distritos: Sede, Conceição das Crioulas, Umãs e Vasques.

*Fontes:
www.portalsalgueiro.com.br
www.cidadebrasileira.brasilescola.com/pernambuco/história-salgueiro.htm

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Da sombra ao aconchego, um lar e um vício

Ô Salgueiro abençoado
Terra querida entre outras mil
Centro do nordeste do meu Brasil
Companheira ilustre do sertão
Lugar de andanças de Lampião
Chão fértil num clima brasil
Das cantorias de viajante de Gonzagão

Salgueiro, povo sempre em polvorosa
Pernambuco pelo miolo
Conceição de Nossa Senhora
Quilombo ainda dos crioulos
Salgueiro pela Serra do Cruzeiro
Sol reluzente feito ouro
Caatinga viva de umbuzeiro

Cidade terna
Gente de valor
Fraterna
Povo conservador
Tradicional, confiança certa
Do aperto de mão ao convívio
Salgueiro, um dos meus vícios

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pensar de um suburbano

Sopa de papelão no morro
E de palma no sertão
Caviar e manjar na mansão
Hipocrisia escondida no porão
Progresso aos abutres
Sem noção, sem razão
Ordem pros humildes
Que ficam na mão, na deserção

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Democracia na comunicação de massa no Brasil

O COMEÇO

No período de colonização e povoamento do Brasil, que já foi encadeado erroneamente, as relações de comunicação no nosso país, já opressor, pertenciam ao invasor que obrigava o nativo a se portar e se comunicar como ele, atendendo as vontades dele. O período de implantação do maior meio de comunicação de massa na sociedade brasileira também se deu de maneira distorcida. A falta de democracia na comunicação do Brasil sempre se deu dessa forma, desde o início.
Quando iniciada a implantação da TV no Brasil, Assis Chateaubriand, grande empresário e dono do Diário Associados, investiu maciçamente na tecnologia do advento televisivo, diga-se de passagem estrangeira (EUA), para só depois perceber que a sociedade, mesmo a elite, não possuía aparelhos de TV e pior ainda, não possuía condições de adquiri-los. Chateau, que em título de certa publicação literária do século passado é mencionado como o rei do Brasil, importou 200 televisores dos EUA e os distribuiu pela cidade de São Paulo, afim de permitir e propagar a ilusão irônica que se dava no momento: a chegada da TV no Brasil. Com a ampla publicização ele garantiu a tão sonhada transmissão primeira que o daria o passaporte para a história da TV no Brasil e o colocaria como marco nominal da história da comunicação no continente americano. A transmissão de Chateau aconteceu em 18 de setembro de 1950.
Naquela época as concessões eram realizadas ao gosto de quem as fazia. Com o tempo o meio de comunicação ganhou maior espaço e vieram as pioneiras e já extintas emissoras, como a Tupi e a Excelsior. De repente surge uma nova cara para a TV no Brasil, ela se apresenta timidamente e atende por TV Globo. Roberto Marinho era o seu proprietário e seu pai, já do ramo, tinha fundado um impresso e uma rádio, antes mesmo da aquisição esse canal de televisão. A partir de 1965 a televisão no Brasil não seria mais a mesma e se havia esperança de uma TV de fato voltada para o maior público, o povo brasileiro, essa esperança começaria a ruir, mas sem que ninguém percebesse.
Após o golpe de 1964, surgia essa nova emissora e os poderosos da elite que se encastelavam nos palácios de costa para o povo, precisavam de aliados. Eles foram surgindo, pouco a pouco. Primeiro a igreja com sua hipocrisia, depois velhos partidos sedentos de poder. No fim da década dos 60 a Globo lança o Jornal Nacional. Com alta carência de audiência e pretensões de expansão de sua marca aos quatro cantos do país, a TV Globo necessitava de investimentos e empréstimos internacionais. O governo militar, por outro lado, já pensava na panacéia para instaurar a quietude das massas que podiam vir a se rebelar contra sua postura autoritária e repressora, queria tranqüilizar a população com o discurso de que tudo estava às mil e uma maravilhas, mas só o discurso não bastava para acalmar os que escutavam, silenciavam e não sentiam e nem viam as diferenças na sociedade. Portanto, era preciso mostrar algo "bom", em larga escala de tempo e espaço antes que a verdade viesse à tona.

DITADURA E TELEVISÃO

No momento em que Roberto Marinho queria crescer mais ainda e o general Costa e Silva queria alienar mais ainda, surge - pouco antes do AI-5 - a aliança eterna da Globo e das forças tiranas. Bastou uma canetada do general e a Globo já dispunha de espaço técnico e permissão para se financiar a partir principalmente do capital estrangeiro, dívida essa que até hoje perdura. Assim a Globo passaria também a funcionar em mais de uma região, teria mais cinco filiais regionais pelo país, o que lhe deu e ainda dá, maior alcance de famílias brasileiras desprovidas da informação da programação que ela oferece. Em suma, maior poder de controle.
Os militares queriam da contraparte uma consistente programação, principalmente jornalística, pois tinham em vista a ascensão do Jornal Nacional como âncora da audiência global. Uma programação baseada na divulgação dos poucos pontos de avanço do governo, ou seja, na parte positiva do regime militar, por isso não haviam críticas ou reportagens que mostrassem uma realidade contrária àquela que os militares queriam mostrar. Onde o governo errava, o que se dava em maior grau, a TV não entrava e quando entrava ficava calada. Certa vez um jornalista do globo Repórter, com espírito de MUDANÇA, fez uma série de reportagens sobre a seca no sertão do Araripe em Pernambuco e levou ao ar, na íntegra, como o povo sertanejo estava sendo assolado pelo pelos efeitos climáticos da região e como aquele povo estava sendo desamparado a meses pelos governos municipal, estadual e nacional. Em apenas 24hs o jornalista foi demitido e obrigado a modificar a matéria para que ela fosse novamente exibida na semana seguinte de modo contrário, mostrando como era bela e farta a vida no sertão em plena seca com o apoio e trabalho eficiente do regime militar.
Este exemplo apenas ilustra a omissão, submissão, covardia, egoísmo e empenho da Globo em estar sempre subservienciando os anseios dos dominadores das consciências da época. Diante dos fatos, frente a frente à verdade, a Globo continuava conquistando território e lares brasileiros tendo a ditadura ao lado, massificando o discurso de ótima intervenção militar na sociedade e de que “ninguém mais segura este país”, fazendo com que surgisse e fosse disseminado o “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Durante décadas dando suporte a elite do nosso país, a Globo havia tomado proporções continentais e continuando como braço direito da ditadura na função de informe publicitário da farsa transformação do país, já não era mais apenas um impresso, rádio ou TV, estava se transformando na Rede Globo, uma rede de empresas de comunicação.

UMA NOVA PERSPECTIVA

Com o surgimento organizado dos movimentos sociais e diversos outros segmentos engajados pelo fim da ditadura, várias discussões de como se organizar e levar e elevar a luta ao seio da sociedade por mudanças reais tomaram corpo. Dentre elas a transparência das informações transmitidas nos jornais que sempre tendenciavam a favor dos interesses da ditadura. Esse foi o primeiro passo para que hoje estivéssemos nesse debate. Como na época concessões públicas de canais de televisão e rádio era um tema alheio e estranhamente complicado até mesmo para os que militavam por outro modelo de comunicação e por conseguinte de sociedade, a causa se resumia nessa instância, tornar transparente os noticiários, buscar informações menos tendenciosas e opinativas, fugir das notícias aparentemente agradáveis aos senhores generais. É possível que naquele momento ninguém soubesse como se davam as concessões, se é que havia leis do tipo, e se existisse tal hipótese, seria um assunto restrito aos que dominavam a constituição. Então o trabalho inicial foi mesmo de dar as costas ao Jornal Nacional e noticiários de semelhante posição.
Mas só com o fim da ditadura pôde-se abrir espaço nos canais de televisão para outras emissoras, como por exemplo o SBT, dos Abravanel e a Record, hoje dos Macedo.

A HORA CERTA OFUSCADA

Tudo em vão. Mesmo com a criação de outras emissoras o sentimento de TV diferente, de gente pra gente, não foi suprido. Todas eram diferentes, isso é verdade, mas nenhuma era a cara, o espelho do sujeito que estava do outro lado do aparelho. E mesmo assim a luta por uma TV com a cara de nossa gente não foi abandonada. Diminuía-se o monopólio, outros canais apareciam, mas a programação atendia aos modelos de comunicação do exterior, da grade e dos costumes de outra TV, de outra gente. Apareciam novas emissoras e acabava-se o monopólio, mas surgia algo pior, o oligopólio.
O momento ideal de luta contra o oligopólio foi no segundo semestre do ano de 1992, quando todas as concessões estavam pra se vencer. Globo, SBT, Record, Band, entre outras. O problema é que naquela época, mesmo organizados, conhecedores brandos do novo sistema de concessões (aprovado na constituição de 1988) e munidos da tarefa de conscientização da população em geral, os movimentos sociais se afastaram dessa importante tarefa por conta de outra preocupação, algo mais relevante e prioritário: a crise política envolvendo o presidente Collor, PC Farias e Zélia C. de Mello.
Essa novela atrapalhou tudo, muita coisa e muitas causas, pois enquanto o país parava para resolvê-la, as pautas dos movimentos sociais ficaram em segundo plano, até mesmo porque era necessário. Ou se resolvia o dramalhão de corrupção ou chegaríamos de fato a bancarrota e nem direito a imprensa poderíamos ter, pela possibilidade de um novo golpe militar que numa segunda dose viria a ser mais repressor, quanto mais brigar por uma televisão de melhor qualidade. Isso é também um exemplo de como pessoas e problemas políticos podem atrasar o avanço da democracia. Esse caso por exemplo, atrasou em sete anos a construção tranqüila e passagem da ditadura para o início da democracia.
Naqueles anos, mesmo com uma população em sua maioria despossuída de informação acerca da comunicação no Brasil, desde a concessão até a influência na identidade e comportamento do indivíduo no meio social, os movimentos sociais já sabiam como tratar o assunto e tocar um trabalho de conscientização dessa população que não tinha o devido acréscimo de conhecimento do tema e portanto mal sabiam como se posicionar-se.
Imaginemos então se os movimentos populares organizados estivessem àquela época concentrados apenas em encampar as causas específicas, o seu roteiro de atuação social. Os engajados no campo da comunicação obviamente teriam tempo, espaço e atenção da sociedade para uma melhor discussão sobre a renovação dessas concessões públicas de rádio e TV. Certamente o debate teria se alastrado, mesmo que em pequenas dimensões, e dessa forma tímida a conscientização popular em torno da comunicação de massa brasileira teria início em 1992, dando oportunidade ao conjunto de pressões sobre o governo para que quinze anos mais tarde, em 2007, as concessões fossem mais uma vez questionadas e, agora de modo mais amplo e evoluído tendo como premissa um governo federal de esquerda. Talvez, nessa hipótese, agora em outubro de 2007 as concessões desses conglomerados inúteis da comunicação brasileira, em sua maioria, teriam sido vetadas por vontade e mobilização do povo. A discussão ainda em 1992 de um projeto de TV formulado a partir das necessidades e anseios da população não ocorreu, mas se tivesse se efetivado pelo menos em tese, nossa comunicação de massa seguiria certamente um modelo popular de TV e rádio nos dias de hoje, quiçá quinze anos atrás. Por isso é importante não perder tempo se quisermos ver a MUDANÇA desejada, sempre manter a constância do nosso movimento, pois tempo de luta perdido é tempo de trabalho em dobro, pelo fato de termos que desconstruir o presente estereótipo e fundamentos anti-democráticos para reconstruir a base a partir dos nossos conceitos em direção a construção do nosso futuro.
Não percamos tempo, é ele o senhor do destino. A cada hora que se passa em inércia perdemos uma mente, um coração e a cada dia de braços cruzados perdemos uma pessoa. E as pessoas são as células revolucionárias para impulsionar a transformação desse nosso organismo: a sociedade.

O PRESENTE E O FUTURO

Temos diversos canais de TV, mas o mesmo viés é aplicado em todos. Onde o brasileiro se vê? Pobre cidadão que ainda é obrigado a aceitar o “A gente se vê por aqui”. São diversas retransmissoras espalhadas pelo território brasileiro. Mas são apenas retransmissoras e diferentemente dos canais jogam ao telespectador o mesmo que o eixo Rio – São Paulo produz, o cotidiano do sudeste de nosso país, ou seja, de uma pequena parte de um país com dimensões continentais, com diversas realidades dificilmente perceptíveis por povos de outras regiões que não adquiriram informação daquele contexto e que possuem sua identidade cultural, sua maneira de lidar com o próximo, seu olhar sobre o mundo. Os detentores das retransmissoras são em grande parte políticos ou familiares interessados na constante alienação do povo. A concessão é de difícil liberação para um produtor cultural ou cidadão responsável socialmente interessado numa programação que trate gente como gente e que faça jus a um determinado grupo da sociedade, mas é muito fácil para os que têm acesso aos detentores de poder regimental e que efetivam essa ação apenas com uma simples conversa nos conchavos do ministério das comunicações e após a rubricada do senhor ministro passam a ludibriar a população mais ainda.
Este ano as concessões venceram novamente, mas como aqui no Brasil a renovação das mesmas é automática, até a discussão democrática fica difícil. E tudo fica mais difícil quando se tem pessoas incapazes de conduzir um processo sem verticalizações. Como levar a frente tal processo se a pessoa que nos representa no setor da comunicação é um coronel da comunicação, um ministro de cabrecho e ex-funcionário da Globo, o então sujeito Hélio Costa, mais conhecido no meio como Hélio “Bosta”. Inclusive isso serve até como proposta para as pautas de reivindicações nacionais da UNE. Por que em vez de só pedir a saída de Meirelles do Banco Central com o “Fora Henrique Meirelles: uma outra política econômica é possível”, não travam um coro também pela expulsão ou demissão de Hélio Bosta, fazendo a campanha do “Fora Hélio Bosta. Pela comunicação da gente brasileira: por direito à identidade do nosso povo”. No Brasil temos mais um caso que serve como exemplo de péssimo exercício do trabalho ministerial de Hélio Bosta. A Rede Record que acaba de lançar outro canal de cunho jornalístico, a Record News. É um canal paralelo, do mesmo proprietário, o que já é ilegal, pois no Brasil uma mesma pessoa ou não pode deter mais de um canal de TV. Por isso os conglomerados de comunicação que sempre são do mesmo indivíduo mas que têm toda a sua papelada em nome de outros, os laranjas. A Record News também mostra outra atitude criminal ao fazer uso do canal da Rede Mulher em São Paulo, canal que já tem sua concessão vencida há mais de dois anos, desde agosto de 2005.
Os que principalmente sofrem com o modelo de TV das grandes emissoras nacionais que apenas retransmitem o conceito de TV estrangeira e que coloniza os países menores são as comunidades tradicionais. São as tribos indígenas, as comunidades quilombolas, os ciganos, o conjunto das massas que margeia a sociedade e que são nomeadas como favelas, etc. As pessoas e os segmentos sociais que não se enxergam nessa programação irreal de noventa e nove por cento dos canais de televisão são sempre os mesmos. Essa massa agora começa a tomar forma consciente, organizada e está disposta a ocupar o espaço que é seu por direito, brigar pela adequada e verdadeira representação do seu ser no cotidiano da sociedade enquanto personagens de telenovelas ou seriados anuais do mês de janeiro. Essa galera é a juventude da periferia. É o vaqueiro sertanejo do sertão nordestino que nunca se viu pelas bandas do lado de lá da telinha. É o negro que nasceu e criou a si a seus filhos em sua comunidade quilombola. É o índio, seja de qualquer tribo do Oiapoque ao Chuí, que tem direito também a comunicação, principalmente aquela que lhe foi tirada no início da colonização e hoje é exercida sem força e sem guerra, mas de maneira pior: culturalmente, através desses meios de comunicação vergonhosos. É a cigana que na mudança contínua de sua aldeia assiste a uma maneira de comportamento que apenas confunde seu olhar do mundo “selvagem”, colocando-o como alternativa de bem estar social, familiar e financeiro. É a mulher sem mãe desde a infância, criada pelo padrasto machista, vítima do preconceito de gênero, que é negra, pobre e lésbica.
Pois são esses próprios brasileiros que começam agora a tomar postura ativa diante da cadeia mafiosa que perpassa pelos processos burocráticos de grande parte dos meios de comunicação do nosso país. A cantiga enfadonha dos enormes conglomerados comunicacionais escutada sempre no discurso “Responsabilidade social, a gente vê por aqui” começa a atenuar-se e suas estruturas tremem. Principalmente quando é citado o caso venezuelano da RCTV. Na Venezuela o presidente Hugo Chávez não concedeu renovação do canal de TV à companhia, mesmo assim a empresa de comunicação RCTV continuou com suas transmissões pelo rádio e pela internet. A iniciativa foi do governo do próprio Hugo Chávez após constatação de tentativa de golpe, por parte da RCTV, na candidatura do venezuelano das eleições de 2002. Depois a população aderiu a causa tornando-a de fato ampla e democrática.
Aqui no Brasil foram os próprios cidadãos que vítimas conscientes da descaracterização e infeliz insistência de estrangeirismos, resolveram discutir e participar da democratização dos meios de comunicação. Iniciaram suas articulações para que no dia de vencimento das concessões fosse realizado no país inteiro um ato simultâneo em ofensiva ao monopólio e oligopólio dos meios de comunicação no Brasil. O ato teve como essencial discurso a democracia na comunicação a partir da participação popular no debate em torno das concessões, inicialmente, para que depois um modelo popular seja adotado. Principalmente agora que estamos à beira da convergência digital e apenas o rico bonito que mora na orla marítima sabe um pouco do que se trata, mas não sabe e nem procura discutir qual o melhor estilo de programação voltado para a coletividade em sua pluralidade. O primeiro passo se dá com a discussão das concessões que deve ser explanada, analisada e renovada com o povo, de maneira democrática, afinal, a concessão é pública e o Brasil tem como regime governamental a democracia. Estamos, por isso, no nosso direito de cidadão.
Instituir o dia cinco de outubro como o dia de pressão popular em combate aos monopólios e oligopólios foi a idéia central do protesto, mas o dia acabou rendendo algo mais. Não bastasse toda a mobilização popular e a conscientização do povo que parava e escutava a voz da realidade, outro motivo foi aplicado ao dia cinco de outubro. Firmou-se então daí em diante o dia de repúdio a Rede Globo, com o apelo aos cidadãos transeuntes, esclarecidos ou não, que não se colocassem diante um aparelho de televisão neste dia.
Vale lembrar que neste texto não houve explanação sobre TV digital, recém discussão para os que se preocupam com a era da digitalização da comunicação como forma de impregnar as mentes das pessoas com um discurso mercantilista e não verdadeiramente comunicacional no tocante ao âmbito social. A convergência digital está aí e as mídias estão envolvendo concepções contrárias ao conceito da comunicação social, as pessoas estão se digitalizando, o receptor da mensagem se robotiza dentre as várias faces da comunicação que é uma farsa, interessada apenas em comercializar através do espaço que deveria ser voltado à educação e consciência coletiva. Portanto é necessário um chamado: vamos discutir os meios de comunicação social!?!?!

Companheiros e companheiras, há diversos motivos nestas páginas para que ninguém venha questionar a luta pela democratização dos meios de comunicação no Brasil. Serve para que ninguém se pergunte porque lutar por essa causa...pois neste caso perguntaremos: “Você ainda tem dúvida?”


Relato do protesto popular em Recife

O ato estava marcado para as 14hs mas teve um pequeno atraso e começou 15:30hs, na pracinha do Diário, bairro de Stº Antonio, aqui em Recife.
Estavam presentes vários setores da sociedade engajados na na luta pela decência nos meios de comunicação, entre eles o Coletivo Brasil de Comunicação (INTERVOZES), o Movimento Tortura Nunca Mais, o Fórum Pernambucano de Comunicação (FOPECOM) e o Núcleo de Assessoria Jurídica Popular (NAJUP). Diversas comunidades tradicionais com destaque para as comunidades quilombolas, representadas pela Comissão Estadual de Quilombolas, e que foram responsáveis pelas manifestações culturais do ato (maracatu, capoeira, coco, ciranda, maculelê, etc) em parceria com o Tortura Nunca Mais, participaram da luta encampada naquela tarde pela discussão democrática/ampliada à sociedade sobre as concessões públicas de canais de televisão no Brasil. As mais influentes foram Conceição das Crioulas (Salgueiro) e Onze Negras (Cabo de Stº Agostinho). O ato foi iniciado ressaltando toda a realidade da TV brasileira, fato que já sabemos como se procede. Foi lembrado também que tudo começou a partir da articulação das comunidades tradicionais de todo o país, que não se identificam com a programação majoritária da nossa televisão que deturpa a realidade do nosso povo.
Ao fim do ato compareceram o vereador de Olinda, Marcelo Santa Cruz, que explanou como se dá o processo de criação de uma TV ou rádio a partir da concessão pública e o deputado federal Fernando Ferro que além de falar, demonstrou no telão slides com gráficos e percentuais que comprovam a tentativa dissimulada de golpe da grande mídia brasileira à candidatura de um dos nomes (Lula) da esquerda nas eleições do ano passado, favorecendo, em contrapartida, o nome do opositor da direita (Geraldo). Gráficos que mostram sem sombra de dúvidas a positiva super exposição de Geraldo e que mostram por outro lado a negativa super exposição de Lula, tanto como candidato quanto como presidente. Ferro ainda mostrou diversos exemplares da VEJA publicados durante o mandato tucano de FHC, onde as matérias de capa eram totalmente distantes do cenário político, concluindo com a grande tentativa (acredita-se que a última carta na manga) de levantar o candidato de direita, Geraldo, em uma capa do último mês de campanha eleitoral onde o mesmo aparecia com o termo "O desafiante" abaixo de sua foto (quem não lembra dessa hein?).
Após a fala dos parlamentares, Antonia Elizabete, locutora das lojas Cattan, pediu voz no microfone e foi prontamente atendida. Falou muito, e bem. Falou principalmente sem tendenciar fatos ou reverter o que é realidade, falou como cidadã, como membro de uma coletividade, escondida da minoria pelo tratamento medíocre que recebe dos meios de comunicação.
Foi feliz em seu discurso principalmente quando mencionou que antes de interesse do presidente ou de determinado político, seja parlamentar ou executivo, a mídia democrática é interesse e direito de todo cidadão de bem que não se olha na frente do aparelho de TV como se olha no espelho.
O ato aconteceu em todo o Brasil, neste mesmo dia e horário, com a participação massiva dos movimentos sociais. A próxima validade das concessões está datada para daqui a quinze anos, o dia é 05/10/2022, até lá nos resta mobilizar mais e mais mentes e corações na defesa desta causa ou pelo menos discussão popular de um modelo de comunicação onde o povo brasileiro se veja...ops, se enxergue para que não percamos mais uma chance e tenhamos que esperar por mais seculares quinze anos.



Saudações Socialistas, O COLETIVO!!!


La comunicación es un derecho que garantiza el ejercicio de otros derechos" (Che Guevara)

"A coisa mais importante na comunicação é ouvir o que não está sendo dito". (Peter F. Drucker)

"O conhecimento nos faz responsáveis" (Che Guevara)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dentre todas a mais bela. Nossa bandeira.


De uma distância razoável observo-a flamulando sob a vontade do veto. Essa força tênue faz com que ela baile no ar, harmoniosa e encantadora, verdejante no anil do firmamento, tendo o seu serne em mesmo tom, estrelado e robusto. Permanece acima, no topo, em torres e mastros.
Com seu profundo significado histórico, fez-se presente nos grandes atos bravios, de heroísmo. Atos de conquista, principalmente nas vitórias populares, imortalizando-se como um dos ícones presentes nesses fatos, compondo essas imagens, essas memórias.
Quinentos anos de representatividade, de luta, sem cessar, sem perder o prumo. Até hoje sem obtenção de muitos resultados conjuntos significativos, relevantes ou satisfatórios, mas firme no intuito de contribuir ao mínimo com o seu povo, ao menos para manter forte a esperança de dias melhores. Esperança bastante presente, prevalecente no seu visual. Sua representatividade paira não só nessa arraigada vivacidade de outros tempos, de luta, fibra e vitórias.
Ela representa também menores nas ruas, comunicades periféricas, o povo suburbano que é excluído, a pátria que se envergonha por ter a sua frente comandantes e líderes corruptos, uma política inócua que quer deglutir os que fazem por onde a imagem e a ação serem diferentes.
Transgredindo o tempo. Relevando atitudes ditatoriais e opressoras em seu silêncio. Ultrapassando décadas de chumbo, de repressão. Estagnando-se numa época em que a supressão do Estado era o que havia de mais moderno e mais tolo na política mundial, impulsionando milhares de mentes, principalmente as mais jovens, ao neoliberalismo internacional, ela persistiu em meio à podridão, solitária, porém com uma solidez impermeável.
A nação estacionada no marasmo atual por falta de motivação, impulso e manutenção da participação político-social, efetiva e forte, tem ainda nesta marca nossa, a chance de instigar o que há de melhor em nosso povo: a determinação. Esta marca civil proporciona o brilho interior naqueles que travam causas e lutas diárias por uma nação mais qualitativa e equilibrada.
Dentre todas a mais bela. Nossa bandeira!

domingo, 5 de agosto de 2007

Nossa Salgueiro


Salgueiro
Cidade que cativa
De gente acolhedora e feliz

Salgueiro
De muitas festas e tradições
Com grandes comemorações
Sempre com danças e cantorias
Alegrando seu povão

Salgueiro
De Santo Antonio
Nosso padroeiro protetor
Do menino Raimundo
Que foi seu fundador

Salgueiro
Muitas histórias a contar
Com seus lugares a falar
A tão apreciada Praça da Matriz
Com sua igreja a brilhar

Salgueiro
Do Açude Velho
Cristo Redentor
Da Serra do Cruzeiro
E a estátua do Padre Cícero

Salgueiro, Salgueiro...



*Texto da 2ª série da extinta Escola Monteiro Lobato (Im Memorium) do ano de 1997
Professora Guiomar Alves de Sá Neto (Tia Maninha)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Saga dum ritirante...trabaiadô, tocadô ou istudante

Eitcha, nordeste chuvido, nordeste moiado
Quando né seca e sufrida é terra inundada
Esse povo de tanto trabaiá vive suado, cansado
Peleja dum lado e d'outro, de dia e de madrugada
Mar se a vida num é tão boa recorrem mermo ao sagrado

Alguns são diferente mermo...bem pra frente
Pensam alto, tudo inxirido, ispivitado e atrivido
Cabeça e conversa à toa, língua afiada no dente
Mar na verdade é eles que inventam sem muído
Vão ser um povo vivido, esperto e intiligente

Quando já num é mar um pingo de gente
Cumeça a traçá uma linha pro futuro num segundo
Faz força pra ser coisa maió, intiligente
Pra num ficar à mercê no mêi do mundo

Dentre todos os percalço
Faz até pena dizer
Que pra tantas glória e consquista ter
São obrigado a romper laço
Cortando o contato que quiriam manter

Agora, na situação de hoje, encarnam a canção
Aquela do véi Lua e de Patativa
Pra conseguir fazer vida no seu chão
Começam a triste partida
Rumando pra uns ares estranhos
Pra conquistá algo na miseráve vida

Se ausentar da sua terra é priciso
Pois o discaso com ela toda vida foi grande
Noutros horizonte buscar manter vivo
O sonho de vida que acha ser importante
Adquirir força afinco e conhecimento maciço
Pra num ser mais um na clandestinidade

Daquelas cantiga que tarda a lembrá
Nem a do Sofreu se arrecorda
Fogo pagô, Tiziu e Sabiá
Lascam a alma dando desgosto e remorço
Abasta se alembrar do seu cantim, do seu lugar
Aí a saudade vem e à volta implora

Ô São José, nosso santo padroêro
Na chêa do inverno...vixe que satisfação
Terra mioada friinha e cherôsa no terrêro
Atiçando pra botar o pé descalço no chão
Barragem, açude e o mato brejêro
Junto do verde, pirdido na imensidão

A caatinga, orxe...tem nem comparação
A mata mais formosa, fogosa e misteriosa
A caatinga, companheira, beleza do sertão
Quarqué flora num é tão maraviosa
Quanto aquela que abrigou Lampião
Do limite da paisage à vista nossa
A paisagem que mexe com o coração

Até na seca ninguém entende, ela surpreende
Seu tamanho conjunto de beleza
Seu ocaso e seu nascente
Refletindo sua identidade na natureza
Acalentando o seu povo valente
Faça chuva, faça sol, resiste com brabeza

Mermo assim falta a condição
Pra gente dominada virar independente
Os pouco que sai nesse mundão
Esquece seu chão e sua gente
Aí o povo que fica continua na mão
Do coroné, do vigário, do intendente
Da santa igreja, pedindo ao pade a benção

Hoje em solo diferente tô a matutá
Do meu sertão só gravura na memóra
Desse lugar a força do que tem pra se conquistá
A certeza do que quero pra minha históra
Pra triunfante ao sertão retorná
Pensando no meu povo e em sua glória
Pra tudim junto poder transformá
Mudificá a cena, avançá e melhorá o que já tá na hora

sábado, 28 de julho de 2007

Rio 2007 o pan do Brasil e o esporte de base


Encerraram-se os jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. O nosso país por ter cumprido o seu papel e arcado com suas promessas da época da candidatura quando nem se tinha ainda a certeza da sede (Rio ou São Paulo) teve o mérito honrado na realização desses jogos, exímia prova disso foi a avaliação do Comitê Olímpico Internacional, que classificou nossa tarefa enquanto anfitriões e nos aprovou. Esse desempenho positivo deixa-nos a expectativa de que o esporte brasileiro teve seu marco, teve um divisor de águas. Será mesmo que todo esse espetáculo brasileiro vai nos render bons frutos? Aparentemente tudo caminha nesse sentido.

O Brasil obteve a terceira colocação geral, isso porque a classificação geral se dá a partir das conquistas de medalhas douradas e não levando em conta o quantitavivo de medalhas de bronze, prata e ouro. Caso nossa quantidade total de medalhas fosse levada em consideração, teríamos a segunda colocação geral, tomando o lugar de Cuba que não alcançou o primeiro lugar por conta dos EUA, lógico. Por míseras seis medalhas de ouro não conquistamos o segundo lugar no podium, mas mesmo assim pudemos notar o progresso do Brasil que visivelmente obteve mais vitórias do que no Panamericano passado, realizado na República Dominicana e de onde retornamos com uma delegação também vencedora, dona de vinte e nove medalhas de ouro. Este ano ousamos e a conquista foi maior, foram mais de cinquenta douradinhas. Tratoramos até o Canadá, país que tinha o Brasil como um freguês nos esportes, sempre éramos chiclete pregado no chinelo dos canadenses. Até que veio 2007.

A maior vitória é saber que algo foi semeado hoje e pode germinar ramificando uma rede de ações para que no futuro floresçam atletas cada vez melhores e preparados para maiores desafios. É uma mutação que parece não ter fim, mas vai ser assim mesmo. Temos como dever inflamar e dar gás a essa bombástica injeção de ânimo esportiva que o nosso país recebeu. Já é de se esperar que toda a estrutura dos jogos panamericanos irão servir de calço para o esporte brasileiro alcançar o topo, a elite dos desportos olímpicos. O esporte a nos envolver com sua fibra, energia e poder de superação durante todo esse período vale como impulso para o aprimoramento de nosso esporte de base, esse que é o grande nascedouro de atletas e que não tem o suporte suficiente para o avanço do mesmo. Não basta que tenhamos uma exemplar performance como sede de uma competição continental como os jogos panamericanos, é preciso a atenção e vista grossa ao esporte escolar, o esporte verdadeiramente de base. A criança aprende desde cedo a praticar esportes, mas continua se o estímulo existir. Nossas aulas de educação física do ensino fundamental são precárias e avessas a conquista diária dos infato-juvenis que as frequentam. Busca-se os esportes mais baratos para que as nossa crianças possam praticar algo, mas se esquecem de ao menos apresentar outros desportos. No caso de várias escolas estaduais e municipais do Brasil o futsal, handebol e natação são as únicas modalidades esportivas existentes e que nem sempre são praticadas com o intuito de instigar os princípios esportivos nas crianças e jovens, sem falar na maneira preconceituosa que se dá isso: handebol é jogo de meninas e futsal é jogo de meninos. Quando se fala em natação nota-se o olhar de poucos que vagamente conhecem sobre a prática aquática, raros são os que distinguem que há quatro modalidades de nado. O vôlei é lembrado, mas não como algo acessível e que pode um dia ser parte de um cotidiano comum na velha quadra de esportes no fundo da escola, mas como o esporte brasileiro que conseguiu chegar mais próximo do futebol, popularmente falando, com três, quatro, cinco títulos mundiais. Isso graças ao esforço da nossa seleção durante os últimos anos, principalmente no fim da década de 90, regados a suor, saltos e cortadas no intuito de também levantar a bandeira canarinha em espaços diferentes do campo de futebol.

A educação de base por ser ínfima dá o tom lento à evolução de qualquer outra atividade desempenhada naquele espaço. Mas há outro calo no esporte de base brasileiro que não é a falta de financiamento de atletas e nem o investimento por parte do governo em melhoria da área no ensino fundamental, trata-se da democracia nos esportes, coisa que passa a existir com mais frequência a partir do ensino médio. Com o empenho individual e em alguns casos coletivo (professor-atleta), nasce um novo nome do esporte e portanto alguns tubarões da educação visam o jovem atleta com segundas ou terceiras intenções. O pequeno atleta de escola pública e recém chegado no mundo dos esportes é premiado com uma bolsa de estudos que prontamente é aceita e ocupada, pois no nosso país não podemos contar sempre com a educação pública, mas não devemos nos render a esses caprichos marqueteiros dos donos de "empresas de educação". Com isso perde o atleta, os estudantes, os professores, o esporte e a sociedade.

Analisemos esse raciocínio. O atleta deixa seu espaço de origem, onde aprendeu aquele desporto e se entrega a um tipo de comércio, coisa bem "toma lá dá cá". Ele passa a trocar seu talento esportivo por ensino, diga-se de passagem bem fora do conceitual, ou seja, uma troca de favores pra quem consegue conceber o ditado "uma mão lava a outra e as duas lavam o corpo todo" entre relações institucionalizadas que devem seguir normas e conceitos de instituição para que não haja deturpação de determinados direitos garantidos e assim seja assegurada com coerência a aplicação de tal instituição no meio social. Se o seu desempenho enquanto atleta deixar o seu "mantenedor" insatisfeito, há riscos de que ele sofra uma certa pressão. Pressão para resultados em quadra ou seja lá qual for o espaço que ele dispute títulos, tatame, piscina, campo, etc. Alguns donos de escola nem questionam o resultado escolar do "premiado", preferem ser mais objetivos e cobrar apenas o que lhe dá retorno publicitário e consequentemente lucrativo. Inflar salas de aula e cobrar maiores mensalidades a partir da concepção de instituição de ensino do senso comum é bem típico dos que visam o esporte como marketing de boa escola/colégio e/ou faculdade/universidade. Esse atleta vai perder também como ser humano, como alguém que pode fazer algo pelo próximo ou pelos próximos, agindo diretamente para mudanças no presente ou indiretamente para futuras consequências benéficas, mas não é engajado o suficiente. Bastava que ele percebesse que o seu meio iria perder a partir do momento que demonstrasse conformismo e indiferença por sua origem e sem determinação para continuar na sua escola para reverter o grau de marasmo e de descaso na sua realidade escolar e esportiva, resolvesse de fato aceitar o "contrato de prestação de serviços", onde o anfitrião o convidaria para a seleção de sua repartição de ensino e a partir daí só venha a valer o "se você não fizer gol vai perder sua bolsa". É essa a única pressão que a maioria dos bolsistas desportistas de escolas privadas sofre.

Perdem os estudantes que se distanciam de uma referência esportiva na escola pública e passam a se desestimular sem que alguém mais experiente apareça para aconselhar ao caminho da superação e do sucesso. Perdem os estudantes das escolas privadas que cedem espaço aos novos atletas para alcançar a falsa imagem de filantropia ou serviços prestados ao esporte. Os estudantes de escolas privadas perdem um espaço que deveria ser seu. Há aí a falta de democracia nos esportes escolares, em suma seria a ocupação de uma vaga na seleção do colégio que cedeu essa vaga a um bolsista para que ele dê o "merecido título" àquela seleção, tendo mais tarde, o colégio, a desejada repercussão social. É como se só os bons pudessem participar e os que ainda estão começando ou estão por vir fossem alunos que podem esperar para desempenhar ou aprimorar seu dom mais tarde ou no ambiente externo, numa escolinha destindada para tal prática esportiva. O que falta de verdade se tratando desse caso é o garimpo dos atletas, é a valorização do pequeno nadador que manja apenas do estilo craw e que por estar abaixo da linha considerada de competição sem um índice de grau desejado pelo treinador, fica fora do treinamento para competições, como se ele não possa competir futuramente. Seria muito melhor começar a lapidar esse menino agora para que ele chegue mais preparado do que os demais e um dia quando submergir numa piscina olímpica deixe qualquer norte-americano pra trás. Da forma que se trabalha hoje esse nadador passa a frequentar cada vez menos a piscina e talvez nem se interesse mais pela água quando alcançar a idade de disputa, pois sua possível vaga está ocupada por um estudante bolsista que já tinha um espaço conquistado e já estava preparado para conseguir vitórias, seja qual fosse a escola que ele representasse em disputas.

Perdem os professores porque nadam, nadam e morrem na praia. Quando um professor observa um estudante e consegue treiná-lo transformando-o num bom atleta, sonha também em vê-lo no podium por sua escola que o apresentou ao esporte e sonha em ser a pessoa que vai estar ao seu lado no momento da vitória. Depois que o atleta troca sua equipe de treinamento, o professor antigo perde a chance de conduzir o pequeno garoto à elite do esporte, ao início da carreira talvez olímpica. O professor novo também sai perdendo por receber no seu quadro de aprendizes alguém que não precisa mais de tanto esforço e preparo, perde porque deixa de exercer sua função principal, formar atletas. Ora, se o pequeno, mesmo que iniciante, veio apenas para dar títulos ao novo local de estudo (ou seria trabalho?), pra quê tê-lo vencendo sempre se o novo professor não vai se sentir dono daquele mérito? É igual ao ditado "não faça, 'compre' feito".

Perde o esporte porque é clamado em vão, porque não é levado a sério e pensado como ferramenta de auxílio ao próximo e a sociedade. O sr. tubarão do ramo da educação convida um atleta para sua instituição e não tem o comprometimento de fato com o esporte. Fala e trata o esporte como negócio lucrativo sem o comprometimento maior, deixa de fazer o esporte como esporte pra fazer o esporte pelo esporte. Portanto a sociedade perde também por conta da deturpação da prática aplicada neste campo, sem uma dedicação coerente e honesta. Se não é condizente ao seu verdadeiro motivo de existência e princípios é algo que está sendo fraudado ou ludibriado.

Diante de todos esses atributos e fatos há a importância de se trabalhar o esporte de base, na base, com a base e para a base. Deveras ser o início de algo muito demorado a se efetivar, mas será o endurecimento de uma realidade que já deveria existir. Certamente será um processo contínuo, demorado e de longo prazo, mas que de qualquer forma vai ser algo duradouro para firmar-se como uma plataforma que com certeza desencadeará um plano consistente de apoio, consciência e respeito ao esporte. Um programa dedicado especialmente ao esporte de base é algo que ainda está faltando para um salto do nosso país nesse setor. O Pan veio para isso, o futuro possivelmente já começou.

sábado, 16 de junho de 2007

A ave, o povo, sua tradição, fé e esperança



"Já faz três noites que pro norte relampeia, a asa branca ouvindo o ronco do trovão...". Assim começam os versos da consagrada canção que ilustra a felicidade do sertanejo, melodiada na voz do rei e no resfôlego da sanfona. A volta da asa branca representa o início do ciclo junino, mesmo sendo comprovado que a saga dela tem no mês de junho o seu fim. Ocorre sim nos meses anteriores. Período agora tão difícil de definir por causa das recentes e profundas mudanças climáticas. Com a volta dessa ave típica do semi-árido às terras das várias andanças de Virgulino Ferreira, Lampião, o sertanejo revigora sua alma e torna e colocar um sorriso no rosto. As tarefas do seu humilde terreno dão espaço a esperança. Esperança vinda do seu pedaço de chão, surgida da terra molhada quando tem início o plantio dos legumes. O verde da plantação de milho ou feijão, protagonistas da paisagem nova, contrasta com outra tonalidade verdejante que se reflete na horta, no pomar ou nas campinas que tem aí o aparecimento das primeiras ramas de mato verde, como se aquele monte de terra estivesse sob um tapete de veludo verde. É o embelezamento da terra que outrora era só escassez, só amargura, do solo ao sentimento do homem que ali presenciava toda a situação e imagem disforme da natureza.

Neste cenário, outras espécies da flora sertaneja começam a dar sinal de vida. O mandacaru, o xique-xique, o facheiro, macambira, caroá dentre as demais cactáceas, começam a tomar a cor da esperança. No caso do mandacaru a beleza é ainda maior por conta do contraponto de seus espinhos e da sua flor, delicada e responsável pela função decorativa do ambiente ao lado da própria estrutura do seu mantenedor, repleto de asperaza e de aspecto rústico. Mais uma vez temos a interpretação disso na voz do rei do baião e no resfolegar da sua sanfona. "Mandacaru quando fulora na seca, é o sinal que a chuva chega no sertão...".

Nessa sequência de fatos naturais impulsionados pela fé do sertanejo que roga a São José até dezenove de abril na certeza de uma providência divina, dá-se os preparativos para as festas juninas que são consequência desses sinais de fartura. Analisando um pouco mais a fundo esse mês que encerra a primeira metade do ano, percebe-se fortes influências em vários aspectos, influências que ultrapassam continentes e trascedem séculos. O mês recebe esse nome devido a deusa June, a deusa da fertilidade e da abundância. O plantio que teve início algum tempo atrás, dá resultado e enche a mesa no mês de junho, mês de um santo católico que também é associado a fertilidade, Santo Antonio. A culinária é proveniente do milho. A maioria das iguarias é produzida a partir dele, todos aqueles pratos festivos têm a sua marca, por isso algumas pessoas chamam o São João de festa do milho.

Com essa miscelânea de catolicismo popular, cultura popular e arte popular confirma-se o quanto é antiga a tradição. A manifestação artística principal é a dança, seja o xaxado, forró, xote ou quadrilha, essa última a mais famosa do período junino. A quadrilha, por exemplo, deriva do termo europeu "quadrille" e tem fortes influências antigas, dos trejeitos e passos a palavras utilizadas para nomear os passos. Era uma dança normalmente realizada em bailes nos salões nobres europeus da idade média, mas que com o tempo de brasilidade deixou de ser quadrille e passou a ser quadrilha, perdendo muito do estrangeirismo que deu lugar a regionalização em solo brasileiro, fator principal contribuinte da popularização da mesma. Dançada agora pelos sertanejos nos terreiros matutos decorados por bandeirinhas e iluminado pela fogueira, a quadrilha é original do nosso povo por conta de toda essa mutação, responsável por personalizar e dar nossas características à dança, pois mesmo tendo herdado palavras e coreografia alheias inicialmente, houve uma evolução aos moldes do povo sertanejo que obteve a partir disso sua própria identidade na dança. Os termos que antes eram franceses e espanhóis, hoje não são mais. Bela rosa e rosa bela, anarriê e anavantú, returnê e balancê, um dia já foram belle rose e rose belle, en rier e en avant, returner e balancet.

A fogueira tem motivo sagrado. Essa versão é a de que ao nascer, João Batista (aquele que batizou o primo Jesus Cristo) teve uma fogueira acesa em seu louvor. O acontecido se repete todo ano e como o mês tem mais dois famosos santos católicos, resolveu-se homenageá-los também. Trata-se de Santo Antonio e São Pedro.

Com tamanha carga histórica, cultural, natural e sincretismo, o período junino é a maior celebração matutina daquele povo que "antes de tudo é forte". O povo que teima, enfrenta e vence as adversidades. Toda essa história aqui contada, repito, tem início com o vôo de regresso da asa branca. Rasgando os ares que começam a prosperar, ganhando umidade. Ela tem sim, muito a ver com os acontecimentos vários do sertão nordestino, assim como o resto da natureza que com suas peculiaridades, seja na fauna ou na flora, têm grande relevância na forma de viver dos homens e mulheres da região. O São João é a concretização do sonho do sertanejo, sonho da fartura no campo, sendo o próprio ser humano dali parte dessa properidade. Basta ver o bando sobrevoando a fronte do habitante do sertão. A asa branca é sempre mais fácil de se distinguir no vôo, então o começo da satisfação é visto no céu, perdendo-se da vista no horizonte. A manutenção da fé e da tradição do sofredor será mantida. A esperança é alcançada e tudo finalmente começa no vôo da asa branca, quando ela termina sua saga ao ouvir o ronco do trovão e avistar o claro do relâmpago, ambos vindos do norte.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O sempre contemporâneo espetáculo milenar



Um desejo que já deve ter passado pela maioria das mentes infantis é o de fugir com o circo. O circo, a magia maior, a mais antiga e mais completa e complexa do mundo. Toda criança pensa assim, em fugir, partir no meio do mundo, naquela comitiva da alegria. Todas as cabecinhas que presenciaram o espetáculo, na sua época de criança, pensaram nisso e partilharam da mesma memória com alguns dos parceiro de infância, hoje ainda crianças, mas já maduras.

O circo é a arte da fusão. O espetáculo artístico de maior definição idealizado pelo ser humano. Neste ambiente sentimos, observamos, escutamos e nos comovemos com as suas manifestações. Sempre autêntico, o circo leva ao seu respeitável público o fascínio das muitas formas de expressão artística: teatro, dança, música e até artes plásticas. Por isso vemos o circo manter-se durante os tempos, por isso ele perpetua-se desde os primórdios como o ápice da produção artística, porque sua mutação não fere seu objetivo, sua temática, a arte.

Uma situação, nostálgica até, que acontece no interior do nosso país é a da cena da caravana chegando à cidade e ocupando o terreno descampado, como se aquele pedaço de terra fosse concebido justamente para esse fim, aguardando apenas o início da montagem daquele cenário. É isso que nos faz pensar em fugir com o circo. Quando ele vai embora leva consigo um pouco, ou quase toda a alegria local e o eco ocupa a imensidão do lugar. Dessa forma não há quem não se atenha a querer rumar junto com o circo. É por causa disso que nasce essa idéia louca de cair no mundo com a trupe e poder encantar também outros ares.

Hoje, tempo em que o original específico ou original tradicional predominam, o circo tem como picadeiro o estacionamento do shopping ou o espaço externo da casa de shows, mas mesmo assim não perde sua essência e sua capacidade de interação com o meio. Mesmo existindo ainda o circo tradicional, a mutação que o moderniza só colabora para que sua magia perpasse limites e sua prática não se torne obsoleta para os dias atuais. O circo não está mais técnico ou menos sensível por conta dessas mudanças. Muito pelo contrário, agora ele dispensa determinados atributos até mesmo na estrutura, dispensa o supérfluo, incitandoo respeitável público a não imaginar de maneira rasa, óbvia. Agora uma das principais ferramentas é o poder de fazer surgir uma imaginação profunda, intensa.

A arte circense pode nem ter mais lonas a sua volta, arquibancadas ou mulher barbada e domadores de leões. Pode estar a vista na praça, na rua interditada, no beco ou no campo, sem suas carasterísticas primordiais, porém, o espetáculo não pode parar. Não pode e nem vai parar porque toda essa estrutura não é tão relevante como antigamente. A mente do espectador já está preparada, munida de todo o cenário, ilustração e formas, pois o picadeiro e o artista estão ali, em frente, atuando como sempre, porque o espetáculo não pode parar.

domingo, 22 de abril de 2007

Faça, não espere acontecer

Faça de verdade, faça com vontade
Daquela maneira singular
Daquele jeito, com total liberdade
No seu canto, no seu lugar
Sem prejulgar, sem magoar
Toda aquela multiplicidade
Bote no ar, pra escoar, extravasar

Faça a novidade, faça de verdade
Que seja no intuito da coletividade
No quarto, na rua
Na rave, na chuva
No seu íntimo ou no explícito
Seja instantâneo ou pra demorar
Exercite sua atividade

Faça de verdade, faça na real
Com toda ingenuidade
Com qualquer quantidade
Não omita e não alimente o "normal"
O que destrói é seco e banal
Alimente aquela interatividade
Toque sua parte, colabore no braçal

Faça acontecer, faça de verdade
Chame os amigos e também os inimigos
Os cultos, os da superficialidade
Chame a galera, os caretas
Do fraco, do forte
Do pobre e daquele de posses
Você precisará de todas as facetas
Pra burlar essa "normalidade"

Faça de verdade, faça valer
Supere a mediocridade, use a criatividade
Alcance aquele patamar
Conclame os de fé
Decidir o melhor caminho a trilhar
O horizonte vai ajudar
Mantenha a atitude de pé

Faça o movimento, faça de verdade
O medo em detrimento da coragem
Revele dogmas, todos e quaisquer
Releve os déspotas, sua autoridade
Acometa impérios, no verbo, na palavra
Mas efetive sua teoria, deveras, na carne
Por que teu ato não é bravata

Faça de verdade, faça a realidade
Mude essa que diz ser a "normalidade"
Construa com os dominados, explorados
O mundo é maioria, humildade
Pra derrubar aquele império
O desafie, ele semeia a marginalidade
Sempre se dizendo do bem, o certo

Faça seu papel, faça de verdade
Construa pontes nas suas relações
Mute, reveja aquela prioridade
Aquela idéia fixa degrada as nações
Cria uma convenção social, mal à sociedade
Fervilhe mentes e corações
Mude seu pedaço, sua casa, seu trecho
Só há começo quando alguém compõe
Apareça, mostre a cara, aconteça
A sua luta tem valor, um preço
Tudo depende do menor ato e do seu peso
Somar pra um dia sermos milhões

sábado, 21 de abril de 2007

Depois ou antes de Maria Alice? Quando foi? Num lembro...o que eu estava falando mesmo? Esqueci!

Após dias ausentes reapareço, eu, o Aparecido. Acho que alguém deve saber quem sou eu né? Porra, vou aceitar o conselho de Alice. Não sabe quem é Alice? Não é Alice do país das maravilhas, é Maria Alice Vergueiros, lembrou agora? Pois é, andar com a carteira de identidade faz bem. Sem documento a gente fica como ela diz, sabe... ei, ela se chama Helena; mas todo mundo conhece como Pantera mesmo? Aquela do "fuma aqui, toma um chá". Eu também acho que às vezes atendemos por outros nomes, por isso há mesmo a necessidade de andar com os documentos no bolso. Mas eu sou Zé mesmo...ainda duvida? Então tá, eu vou esfregar minha carteira de identidade na sua cara quando lhe encontrar por aí.
Ah, eu esqueci até o que eu estava falando inicialmente. O que era mesmo? Pronto, perdi o fio da meada, como dizia minha professora de história da época em que eu era secundarista, dona Eudócia, tia Docinha, carinhosamente...inclusive eu agora começo a suspeitar que Docinha seja amiga de Mª Alice, porque o comportamento das duas se parece muito...merda, esqueci denovo, ô Jah, ajuda a memória desse adorador da natureza, afinal, a gente tem direito a lembrar das coisas. Ah, estava falando do meu sumiço, o motivo do desaparecimento do Aparecido foi por conta de uma semana dedicada à finco a realização de provas na faculdade, aos livros, textos e papéis de recados contendo notas importantes que muito ajudaram; uma infecção intestinal que durou três eternos dias e por fim a dedicação extremamente exorbitante ao M.E.
Me considero um Jaspion, um Jiraya, ou até mesmo um Change Man, pois consegui bons índices em todos esses confrontos que me ocorreram, sou um vitorioso porque melhorei da infecção intestinal. Infecção intestinal é a infecção do intestino entende? É quando a flora, ou seria a fauna intestinal? Num sei, só sei que esse trocinho aí fica nas tripas, ou fato, chamem como quiserem...lá no interior varia sabe? Depende, se é em pessoas leva o nome de tripa, no animal pode ser fato. Quando a gente come besteira pode dar diarréia do viajante, diarréia infantil, tudo ocasionado pelo rotavírus. Ah, o rotavírus é um tipo de vírus da família Reoviridae e não me pergunte o gênero, a família eu filei de um lugar ali, só pra ficar mais claro. É classificado sorologicamente em grupos, subgrupos e sorotipos. Ainda consegui uma média de boas notas nas avaliações das diversas disciplinas com três notas ruins em comparação a cinco notas boas, tudo na faculdade né? Não dá pra fazer prova em casa né pessoal? As provas são papéis que comprovam nossa inteligência, claro, é isso. Então o vírus manifesta os seguintes sintomas no ser humano, preste atenção: prostração ou irritabilidade; boca seca, língua seca e/ou lábios ressecados; olhos fundos; em bebês, a moleira funda (deprimida); não urinar ou molhar as fraldas durante 8 horas. Ainda vi uma progressão no M.E. da faculdade. Pra quem não sabe o sucesso foi tão grande que até estudantes de outros cursos apareceram e é por isso que é importante fazer as provas sem faltar em nenhum dia de entrega de sua nota, entende?
Ah, mas vamos deixar de enfiar bufa em cordão e fazer algo sério, tá na hora de agir, vamos trabalhar, afinal, alguém aqui tem que fazer isso.
Esqueci...qual era o assunto que eu estava tratando mesmo? Essa onda de tapa na pantera, sabe, mexe com a memória da gente e de repente...pá, o tapa. Aí ela passa a ver e sentir coisas que o mundo real não permite porque o principal responsável pela infecção intestinal é o rotavírus. Mas há o herói nisso tudo, é o Saccharomyces boulardii. É um probiótico...ah, quer saber? Te vira, eu tenho que saber de tudo é? É um nome didífcil aí, nem eu sei. Procura o Houaiss ou o Aurélio, eles são escritores de dicionários.
E voltando ao assunto...é...é...o que era mesmo? E o pior é que eu quero lembrar e dar seqüência, mas isso nunca dá certo, porque a gente começa num assunto e termina n'outro. A gente nunca consegue seguir a mesma linha, mas um bom chá ajuda. Dizem que rememora né? E daí, eu procuro ligar os dois pólos e sempre dá aquele curto...quando o negativo se junta ao negativo...positivo? Bom, é isso né? A ponte não se liga, eu forço o cérebro e Nathália reclama porque eu não deixo fluir e permaneço forçando pra dar aquela seqüência, mas nunca dá certo. Sempre termina em outro assunto...quer saber? Eu não vou mais forçar o cérebro, não dá pra curtir o tempo que não é real, pois se perde muito tempo numa coisa só.
Vejam o quanto interessante é o M.E., principalmente na minha IES, onde não há D.A. e nem D.C.E...tá bom pessoal, é muita sigla, eu sei, hehehehehe...mas ainda tem o CONUNE e CONUEP que são outras siglas que eu não me lembro agora, mas depois eu digo. Por isso é importante que as provas sejam realizadas em uma só semana, assim a gente não passa mais de uma semana sem aula...porque é assim né? Aproveitam que é prova para não dar aula. Alguém já percebeu que essa coisa de aula é real? No mundo que não é real a aula nunca aparece...lembra que eu falei em Jaspion, Jiraya e Change Man? Pois é, eles não tinham aula, só depois vieram os Power Ranger e passaram a estudar naquela faculdade na tal da Alameda do Anjos...era isso mesmo?
Procurem no dicionário meu povo, não sou obrigado a saber de tudo, ora mais. Já perceberam que quem dá risada é feliz? Por isso Alice me disse que ri todo dia, sempre depois de realizar a terapia intensiva de humor, rárárárárá...aí ela ri todo dia, por isso nunca fica triste. Falando nisso quero lembrar que a tristeza causa depressão e a depressão na moleira dos bebês que têm diarréia nada tem a ver com a depressão da tristeza, mas sim com a depressão do relevo do crânio do pequeno bebê. Vejam as outras siglas do movimento estudantil galera, aprendam sobre esses palavrões, hehehehehe...CONEG é alguma coisa que reúne as entidades gerais, nacionalmente e CONEB junta as entidades de base, nacionalmente também. Fora as estaduais que substituem o "N" pelo "E", claro né? E que fique bem claro, ou escurecido...bem sucinto...não é "Ê", é "É", pois não estou em terras do sudeste e sim do nordeste...vocês já devem saber que nisso estamos certos, não é "Ê", é "É".
Todos os congressos, eita...congresso não, regresso. Meu regresso é diferente do "boemia, aqui me tens de regresso", até podia ser, mas temos que tratar das coisas com seriedade aqui, e isso não e sério, não nos faz lembrar o mundo que não é real. E mesmo assim prefiriria de regresso a música "voltei Recife, foi a saudade...", é mais dançante. Claro que músicas dançantes são mais bem-vindas nesses momentos...num é verdade? A gente dança até aquele ritmo que inventaram e puseram, por roubo, o nome do ritmo de Luiz Gonzaga, o tal de forró eletrônico...estilizado? Afinal, vocês têm nome ou não? Dá até pra dançar o pagode baiano e aquelas outras tosqueiras musicais que são automaticamente expulsas do nosso consciente e vão parar no inconsciente...daí a gente fica assoviando essas coisas por aí, nos momentos de distração. Mas acho que ficou claro, dar um tapa na pantera...ela está quieta e de repente alguém dá um tapa nela. Isso ocasiona um grande aumento da pressão sagüínea porque ela leva esse susto e fica mais esperta, passa a perceber coisas sensacionais e por isso mesmo o sangue precisa chegar a todas as partes do corpo da pantera, então isso explica o aumento da pressão sagüínea da pantera, fazendo o coração palpitar mais forte...batendo mais forte, ele bombeia mais sangue em maior velocidade para que a pantera fique daquele jeito, sabe? Em um pouco espaço de tempo ela passa da traquilidade à repentina atenção aos fatos e acontecimentos ao seu redor, apreciando coisas do mundo que não é real. A partir desse momento você vai...e volta às vezes, então aí já há o rompimento da teoria de que tudo que vai, volta. Você vai, vai, vai...e quando vê, não sabe se aquele lugar onde você está é o lugar onde realmente você está. Quando vê não percebe se está naquele lugar, e nem sabe se volta...mas fica tão bom o nosso íntimo naquele lugar, que nem deveríamos voltar. Sempre feliz, todos os dias...e é bom ter cuidado, pois a risada é em todos os casos o pior radar.
E qualquer desejo de contato com o mundo que não é real, basta ter sua hortinha!!!

sexta-feira, 30 de março de 2007

Só o começo

Área sob desertificação na China, foto tirada de um satélite.



27/03/2007 - 02h18

Novo estudo prevê grandes mudanças climáticas em 2100

da Efe, em Washington



Muitas zonas climáticas atuais desaparecerão totalmente até 2100 e serão substituídas por climas hoje desconhecidos, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (26) nos Estados Unidos.

O relatório, publicado no último número da revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", destaca que durante o próximo século desaparecerão vários climas das zonas altas dos trópicos, assim como dos pólos.

Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Wyoming prevêem também que grandes faixas tropicais e subtropicais podem desenvolver climas novos totalmente diferentes dos atuais.

Entre as zonas mais afetadas figuram regiões densamente povoadas, como o sudeste dos Estados Unidos, o Sudeste Asiático e partes da África, além de conhecidos pontos de alta biodiversidade, como a floresta amazônica.

O geógrafo Jack Williams, da Universidade de Wisconsin-Madison, principal autor do estudo, comparou o seu trabalho com o dos cartógrafos da Europa medieval, que enfrentaram o desafio de traçar mapas de um Novo Mundo totalmente desconhecido.

"Queremos identificar as regiões do mundo onde as mudanças climáticas vão produzir climas que não têm nada a ver com os atuais", disse Williams num comunicado que aparece no site da universidade.



Aquecimento global


Williams explica no estudo que as mudanças previstas são resultado do aquecimento global, fruto das maiores emissões de gases poluentes.

Segundo o geógrafo, as temperaturas serão mais altas no futuro, e por isso os sistemas que conhecemos na atualidade vão mudar totalmente.

Williams e seus colegas da Universidade de Wyoming basearam seus prognósticos em modelos informáticos que calculam as mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases poluentes.

Os modelos sugerem que as zonas climáticas de 48% da superfície terrestre pode desaparecer até 2100.

Os pesquisadores prevêem que, mesmo se os esforços governamentais conseguirem diminuir as emissões poluentes, as mudanças ainda afetarão 20% do planeta.

As mudanças podem aumentar a ameaça a algumas espécies em vias de extinção e provocar grandes deslocamentos humanos.

Os climas que desapareceriam provavelmente afetariam as zonas próximas aos pólos e as terras altas das regiões tropicais, inclusive os Andes peruanos e colombianos, a América Central e as terras altas da Zâmbia e Angola, entre outros.

O fenômeno dos novos climas afetaria regiões dos trópicos, como a Amazônia e a Indonésia, onde mesmo pequenas mudanças de temperatura podem ter um grande impacto, segundo Williams.



Dá pra tu? Então não preserva otário(a)! Esculhamba mais do que já está esculhambado e colabora com a possível não existência de teus netos. E quando eu falo desse assunto e me posiciono como todas as vezes, me acusam de pessimismo, rárárárárá. É, caro amigo, pra quem ainda está duvidando eu mando até o link da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u16169.shtml

Relato estudantil: dicas e macetes do sistema

Durante todo o secundarismo militando pelo Movimento Estudantil, decepcionei-me muito com a causa no fim do ensino médio, mais precisamente no último ano da fase escolar. O problema foi a falha ao discernir entre a causa e os causadores. Mesmo assim, achando que o comportamento acompanhado por mim era generalizado em todas as tendências estudantis, continuei na peleja por achar que havia algo mais a ser feito, principalmente por ter analisado a situação posteriormente e notar que me equivoquei quando quis não mais empunhar a bandeira do movimento estudantil. Tinha certeza que encontraria alguém em melhor sintonia com minhas idéias. Com a prática dos "causadores" realizada ao meu alcance de vista e em minha presença como membro inconsciente da farsa, conclui mais tarde que aquilo não seria uma forma generalizada de pensar e agir. Pensei comigo: "há alguém diferente e eu vou achar. Vou atrás do novo, eu sei, há alguém que faz isso de outra maneira, muito melhor". Sempre há a outra face da moeda que faz as coisas de maneira diferente e mais transparente.
Mais tarde, quando cheguei na universidade me apaixonei pelo terceiro setor sem perceber que estava inserido nele por vocação. Isso foi o gás para que eu returbinasse minhas idéias e oferecesse velocidade total aos anseios de outra hora, agora se renovando na esperança de fazer a coisa mais adequada. Movimento social que era apenas algo ainda longe agora tinha outra perspectiva, pois tomei nota que a área era ampla e que eu era classe, classe que pertence a sociedade e que quando se movimenta faz movimento social. Fui o mais rápido possível em busca de novos horizontes e diante das múltiplas tendências no movimento estudantil encontrei uma das melhores. Hoje vejo que o erro daquele momento foi necessário, pois estava em construção toda a minha concepção de movimento estudantil. E creio que aprende-se errando.
Atualmente a nossa luta enfrenta dois percalços, o de construir o movimento, pois além do descaso por parte dos próprios estudantes ser maior para com a grande causa que ele é e representa, o movimento estudantil sofre com o aparelhamento partidário nos longos anos pós-ditadura, que é o outro calo apertado pelo sapato. Fragmenta-se cada vez mais e isola-se do seu grande corpo, o estudantil, por ter que manter-se em um período não muito favorável à sua sobrevivência, que o sufoca e o distancia de sua própria classe, dando margem a não importância da luta por sua oxigenização e fortalecimento. Sorte grande tirou quando na pós-ditadura pôde ganhar fôlego triplicado com as várias lutas que o sustentou. Até parece que advinharam o futuro difícil que o movimento iria enfrentar, parece que elas vieram em seu benefício para que ele obtivesse maior número de estudantes e pudesse se prolongar por mais um tempinho. Até mesmo no fato da sociedade brasileira ser principiante na democracia impõe-se obstáculos. De fato a democracia no Brasil é um bebê e isso contribui para o retardamento do avanço das lutas.
Vítima de todas essas opressões o movimento estudantil ainda enfrenta muitas outras barreiras que o impossibilita de avançar em prol da sociedade. Em prol da sociedade sim, não é exagero, porque é na universidade que compomos nosso senso crítico social, o conteúdo que nos guiará diante dos fatos, das pessoas e da política. Lá estão todos os atributos teóricos e práticos para que se aprenda como inserir-se na cadeia maior. Esse ambiente macro está bem mais disposto a quebrar nossos conceitos individuais do que o que se restringe a universidade. Então, no sentido de organizar e preparar os possíveis futuros componentes do sistema macro, um sistema semelhante mas em grande escala, propõe-se o movimento estudantil internamente e externamente.
Apareça, cresça, conteste e faça voz perante o que você é. Intimidar-se é omitir-se e afastar-se como eu fiz no início, é normal. Só não considere normal a ausência completa. Tome cuidado com as facções criminosas que visam o aparelhamento partidário no tocante ao financeiro e jamais deixe de empunhar sua bandeira. Seria até bom ter como experiência a decepção de início de carreira como forma de testemunhar o que certas denominações estudantis são capazes de provocar para além de emporcalhar a causa, agir em função de outras ideologias políticas que até eles mesmos chegam a criticar. Faça seu manual e siga seu rumo, sem medo de tomar conhecimento do novo, do diferente, da mudança.

segunda-feira, 26 de março de 2007

O COLETIVO.QUEM SABE FAZ A HORA!

Carta de apresentação do COLETIVO.QUEM SABE FAZ A HORA!

Perante a necessidade de organização estudantil da Faculdade Maurício de Nassau, da ausência de interesse participativo da maioria do corpo discente e da própria faculdade, surge "O COLETIVO.QUEM SABE FAZ A HORA". O COLETIVO é ainda um pequeno aglutinado de estudantes em movimento e crescimento, tendo como objetivo a organização e mobilização concreta dos estudantes dentro da nossa faculdade.

É fato que vivemos numa sociedade alimentada e atrelada a um esquema fomentador da passividade e do entreguismo de nossa identidade, causando escassez de espaço e direitos da maioria que sempre está em situação favorável em detrimento da minoria prevalecente. Mas não é fato que devemos nos ausentar do debate deixando de executar nosso papel social. Devemos afirmar nossa presença no seio do conjunto que compomos, sem ferir nossa unidade, tomando para si a função de agentes da transformação que queremos realizar no campo de adversidades existentes. Desejamos que a partir da nossa união todas as nossas lutas sejam formuladas desencadeando-se cada vez mais para os que ainda não nos conhecem, obtendo assim mais apoio e conseqüentemente fortificando nossa temática: a coletividade.

Nosso nome surgiu apenas no início deste período letivo, por questão de identidade. Mas nossas causas e lutas dentro da faculdade datam de muito tempo, aproximadamente a dois anos atrás. Naquela época iniciamos o movimento pró-D.A. no curso de comunicação social, resultando na criação do diretório acadêmico de comunicação social. Isso tudo após longos períodos de reuniões semanais pautadas na discussões acerca da formação política dos estudantes, assembléias que demarcariam estatuto e questões referentes ao processo eleitoral do D.A. de comunicação social. Após esse processo, já como gestão do D.A.COM., promovemos com o incentivo da faculdade apenas no tocante a espaço físico e permissão de coordenadores, uma série de debates e palestras envolvendo assuntos ligados ao nosso curso e principalmente a sociedade. Exemplo deste trabalho foi a discussão da adoção do modelo de TV digital a ser implantado no Brasil, onde estudantes não só de comunicação social participaram da mesma e puderam saber mais sobre o tema ou até mesmo aprender, visto que o debate da TV digital não conseguiu abranger-se à boa parte da população, ficando restrita apenas aos intelectuais da área e principalmente aos interessados no lucro financeiro dos grandes setores da mídia nacional. Uma outra causa encabeçada por nós juntamente aos diversos estudantes da faculdade, ocorreu quando nas eleições nacionais do ano passado, realizou-se no ginásio de esportes da faculdade um debate entre candidatos ao governo do estado. Mas não era um simples debate. O veto à liberdade de expressão foi nossa causa. Em primeiro lugar o debate deveria ser amplo, para toda a sociedade, em segundo lugar não houve divulgação do debate para que os estudantes participassem por meio de intervenções e nenhum do DA’s existentes (direito e comunicação social) tomou conhecimento de nada e em terceiro lugar foi vetada a manifestação política por parte dos presentes. Ou seja, naquele momento não estávamos autorizados a usar camisa, boné, botons, bandeira ou até mesmo adesivos (praguinha) em nossas roupas. Caso contrário o autor da manifestação poderia ser retirado do espaço. Para os estudantes de comunicação social isso era meio que controverso, por isso nosso apoio à causa. Ressaltando que participar de alguma manifestação política em que na qual não é autorizada o livre e espontâneo direito de se expressar e tornar concreta a sua liberdade de expressão é algo que nos remete aos anos de chumbo, época ditatorial do nosso país em que pessoas morriam por manifestar apoio à determinada causa. Então a partir da repressão advinda da faculdade que impôs sua vontade menor a vontade maior, protestamos de forma silenciosa, com cartazes e nariz de palhaço, tendo de maneira rápida a presença de todos os seguranças da faculdade em torno do grupo como se toda nossa ação fosse intencionada a causar algum ato inconseqüente, exibicionista, infundado e voltado a baderna. Após toda nossa incansável luta, somos surpreendidos por membros do corpo docente que em determino local e momento, menciona que o D.A.COM. é ilegítimo e não representa nenhum estudante de comunicação. Contradição deles próprios, isso só veio nos mostrar que devemos defender mais e mais nossas causas, pois todo o processo de construção e principalmente o eleitoral foi de total conhecimento da faculdade, lembrando que todas as atas (eleição e posse) foram assinadas pelo coordenador do curso e coordenador acadêmico, provando que a legitimidade existia e que o discurso da faculdade era apenas uma tentativa de acabar e desestabilizar o movimento estudantil. A partir daí o D.A.COM. passou a sofrer vetos e foi cooptado da realidade do corpo docente da faculdade. Talvez por isso os vários estudantes de comunicação social que não acompanharam todo este processo e os que ingressaram na faculdade após os acontecimentos citados, desconheçam o seu órgão representativo. Outro exemplo de nossa ação partiu quando no ano passado também em período eleitoral, elaboramos e propusemos um debate entre candidatos ao legislativo. Nos dois dias definidos para o acontecimento, realizamos os debates entre candidatos estaduais e federais, respectivamente, fortalecendo assim o papel do estudante na faculdade e em especial na sociedade. Em ambos os dias contamos com a presença de quatro deputados de várias forças e coligações da época. No último outubro, a faculdade anunciou o aumento de 7% nas mensalidades de todos os cursos e daí viemos novamente a cair em campo. Dessa vez estávamos não só reivindicando o aumento, mas também outros direitos nossos, sendo que o aumento até poderia ser aceitável, mas não era fundamentado em alguma prerrogativa concreta. Queríamos uma biblioteca suficiente para a quantidade de alunos existentes, laboratórios de informática também suficientes ao alunado, isenção de taxas de serviços ou pelo menos a redução do valor abusivo cobrado por cada uma delas, estacionamento para os estudantes, material multimídia em todas as salas, apoio aos projetos de extensão e pesquisa, oficinas mensais ou bimestrais em diversos cursos, entre outros. Se não tínhamos nada disso por que pagar mais caro? Por que pagar mais caro ainda pelo que não estava condizente aos discentes? Foi por toda essa série de questões que iniciamos ainda no mesmo mês, a coleta de assinaturas dos estudantes, para que todas estas reivindicações e direitos fossem atendidos e que simultaneamente o respaldo das assinaturas validassem nossa luta. O projeto de lei da UNE que tratava do aumento de mensalidades e que tramitou muito tempo no congresso havia sido aprovado naquele momento, mas mesmo sendo recente passava a valer apenas a partir de 2007, o que também impossibilitou nossa vitória. Nem mesmo discutir o aumento junto ao projeto de lei a faculdade se dispôs a fazer, mostrando mais uma vez que não temos a voz que merecemos ter no nosso próprio espaço.

Por tudo isso queremos dizer que não somos meros estudantes que aparecem em cena neste momento. Temos toda uma história e por isso agora um nome. Muito empenho já foi dedicado durante longos dois anos e a relevância deste empenho não pode imergir jamais. A falta de sucesso em algumas das lutas, deve-se a ausência de uma melhor política de comunicação e de uma organização estudantil forte e unida.

É nesse intuito que O COLETIVO quer se pautar no nosso meio social, a universidade. Hoje somos estudantes e em breve profissionais e membros de uma coletividade maior, muito mais opressora do que a nossa atual realidade. O COLETIVO conclama todos os estudantes da Faculdade Maurício de Nassau a participarem do movimento estudantil interno, não nos restringindo somente ao nosso nicho, mas dissipando-se e ocupando todo o nosso espaço por direito, para que finalmente possamos ser de fato O COLETIVO.

Atenciosamente, O COLETIVO.QUEM SABE FAZ A HORA! 23/03/2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

Ao dia internacional da água


Na era da globalização a temática internacionalizar é muito utilizada, principalmente pela cadeia mafiosa que sempre leva vantagem nisso. E é pauta para o dia de hoje, a comemoração do dia internacional da água. Fato que novo não é aos olhos de quem já acompanha o caos que o meio ambiente enfrenta há muito tempo.
Recentemente o ex-candidato a presidente dos EUA em 2000, Al Gore, produziu um vídeo documentário a respeito do caos ambiental que nunca foi enxergado pela "grande mídia" ou "mídia oficial". Intitulado "Uma verdade inconveniente", o vídeo levou oscar na última disputa hollywoodiana, que ocorreu recentemente.
De maneira comparativa, mostrando slides de geleiras e ambientes naturais de décadas passadas em relação aos dias atuais, Al Gore conseguiu mesmo que tendo que levar o assunto ao balcão de negócios da indústria cinematográfica, acordar boa parte da população mundial para o alerta verde. E ainda assim, conseguiu muito pouco, pois a realidade é que muitos interpretam o fato de engajamento das pessoas interessadas no tema, como modista. Ao seguir para a faculdade hoje pela manhã, notei a presença de um carro de som entoando a música "Planeta água", por Guilherme Arantes, em frente a um colégio de ensino médio. Desse modo lembrei que o dia internacional da água chegava sem a ênfase merecida, percebi então que foi pouco relevante a realização do vídeo "Uma verdade inconveniente".
Diante de todo o aparato da indústria que enlata temas polêmicos, o meio ambiente sofreu o descaso mais uma vez e não se tornou prioridade para as pessoas. Tendo tantas previsões e provas reais de desastres ecológicos, temo que podemos não ultrapassar o século atual. Se presenciamos o exagerado nível de deterioração do meio ambiente em vários acontecimentos recentes como a seca no Amazonas, as tsunames, os ciclones extra-tropicais e a diminuição das geleiras, podemos induzir que não é necessário nem mesmo a previsão de desastres ambientais. E ainda desminto essa conversa falsa de que só nossos netos e bisnetos passarão pelo caos ecológico e sofrerão suas consequências advindas de nossos atos. Nós mesmos sofreremos (já estamos sofrendo) toda desolação ecológica e não é nem certo a existência de netos ou bisnetos. Filhos serão talvez a última geração, mas calma isso não é pessimismo ou afirmação, é apenas uma hipótese que também pode não ocorrer. Mas da maneira que o processo está sendo desencadeado, me resta pensar assim. Me preocupo desde tempos atrás, desde a época que nenhum meteorologista havia previsto seca no Amazonas, tsunames, ciclones extra-tropicais e etc. Então por isso digo que tudo pode acontecer mais rápido do que pensamos a partir da não sapiência humana a respeito da natureza.
Se tudo aconteceu em pouco tempo e em grande escala, pode-se afirmar também que tudo que já foi previsto pelo relatório mundial elaborado pelos cientistas que se reuniram em Paris recentemente, pode vir muito mais cedo do que imaginamos. No dia internacional da água não há espaço para celebração de benefícios ou vantagens, apenas para preocupação e conscientização. E já é tarde, o tempo está sendo mais veloz do que a preservação ambiental.

terça-feira, 20 de março de 2007

O merecedor primeiro?

À quê ou a quem dedicaria meu primeiro texto?
À política? Não, não agora. Já havia pensado nisto antes, simpatizo muito com o assunto, sei discernir sobre ele, principalmente aqui no Brasil, onde não dá pra conceber a idéia de omissão ou descaso com o fator política. Especialmente advindo da população ou parte dela, que na realidade deveria ser a mais interessada pelo tema. Deixa pra uma outra próxima vez, ainda publicarei muito sobre política aqui.
Ah, já sei. Cultura e arte popular brasileira. Ou pelo menos a local, a de Pernambuco, da minha região. Mas não, deixa pra uma próxima oportunidade, pois sobre isso me interesso o bastante para que possa publicar algo acerca disso mais tarde.
Ah, então falarei sobre a questão ambiental. O meio ambiente está em colapso, só que dessa maneira podem até pensar de início que minha preocupação é de agora, factual, pelo fato da grande mídia mundial e nacional ter resolvido pôr em campo a pauta ambiental e a partir disso muita gente ter alertado sua consciência acerca da natureza. Mas minha preocupação não é de hoje, quem me conhece que o diga, me preocupo há muito tempo, mas só preocupação, reconhecendo que me omiti e não fiz nada, a não ser me preocupar. Sem ação não há reação. De todos os segmentos sociais que desejava me aprofundar para trilhar minha vida profissional, política era sempre o primeiro, seguido de jornalismo cultural e finalizando com jornalismo ambiental. Apesar de que recentemente houve uma reviravolta nestas escolhas. Meio ambiente primeiro, cultura por conseguinte e por fim a política. Então por isso achei válida a tentativa de enfatizar o tema do meio ambiente.
É, mas mesmo assim acho que não, não falarei disso agora. Deixa pra próxima mesmo.
Há algo que merece ser laureado primeiro. Antes de tudo isso há um fator merecedor da primeira postagem neste blog: a minha família. E não irei me estender.

"Amo minha família, cada um de vocês e...Mesmo distantes, conseguimos manter a chama desse amor. O amor que nos une a cada dia, nos dando força para...Viver, nos dando força a cada caminhada, pois...Onde quer que vamos, sabemos que jamais estamos sozinhos. OsCaminhos são diferentes, mas quando precisamos ali estamos nós. Em qualquer situação, acolhendo uns aos outros. Semeando o amor de Deus, e o amor de nossos pais."

Texto coletado do site: http://www.mensagensepoemas.com.br/


Quem és este Anjo,
Que das noites em claro testemunhou
Que das ilusões e lágrimasMe resgatou.
Quem és este Anjo
Que nas tempestades
Se arriscou
Que em um mar em fúria
Enfrentou...
Lembro-me daqueles dias intermináveis
Em que suas lágrimas
Abalavam minha alegria,
E dentro de um silêncio
As lágrimas me rendiam
E meus sorrisos de minha face
Desapareciam...
Lembro-me perfeitamente daquela tarde
Em que senti um frio arrepiando minh’alma...
E quando dei por mim
Meu Anjo não mais chorava,
Pois seus olhos se entregavam ao
Silêncio de um coração...
Lembro-me das batidas do relógio
Que atormentavam meus ouvidos
E das lágrimas incontroláveis que
Meus olhos se rendiam...
O tempo passou
Mas no coração ficou
Aquela voz doce de um Anjo,
Que a todo o momento
Com seu carinho, declarava seu amor...
Acredito que sejas minha sombra
Que és meu Anjo
Que sem te ouvir, posso te sentir
E traduzir todo meu amor
Nesta simples poesia...
Acredito que ainda na madrugada fria
Chega descalça em meu quarto
Para um beijo e um aconchego incomparável...
Meu Anjo,Que sobrevive eternamente nos meus sonhos
Não deixe de me amar
Não deixe de me seguir
Pois,
És minha inspiração
És sempre
Meu Anjo!!!

Site: http://www.declaracaodeamor.com/
Autora: Fabiana Thais Oliveira


No mais é só isso, pois esse órgão esquecido da sociedade merece. Fragmentada pelo sistema que deteriora o convívio humano e familiar, essa instituição resiste, mesmo que em pequeno número. Mas resiste. E resistirá. Sempre!

segunda-feira, 19 de março de 2007

Apareceu

Segunda, 19 de março de 2007, 16:39hs. Apareceu o blog do Aparecido, rárárá!
Na verdade o nome do "mago" escritor é José Aparecido dos Santos Júnior, vulgo Zé Cidão.
Tenho na mão a destreza de um arqueiro, o molde da minha consciência e o peso de uma pena. Na cabeça, o andamento da construção de uma personalidade munida às futilidades, que acredito não ser possível concretizar-se nunca, pois a cada momento extasiante descobrimos a fraqueza dos defeitos humanos.
Sertanejo do sertão central de Pernambuco, volto meu olhar a novos horizontes diferentes dos que avistava há pouco tempo. Agora já não penso mais naquela vida tranquila e pacata após a conquista da independência financeira, agora já não imagino minha figura fora do script social e cultural da minha realidade. Não me vejo passivo a situações opressoras e contrárias à humanidade. Alienação foi caso antigo, as conquistas atuais e as metas a serem realizadas devem ser muito maiores do que aquele anseio pífio. Da humanidade só aguardo a concórdia e de mim discernimento para acompanhar tudo em sua melhor face.
Os bens materiais providos de muitos detalhes e acessórios que por hora me atraiam e me faziam seguir num determinado rumo demasiadamente superficial, o estilo de vida rotulado e encabeçado pela maioria tacanha da qual eu também queria compartilhar, já é passado, e é por isso que hoje dou risadas daquela velha concepção de vida, do eu que eu parasitei durante tanto tempo.
Perante aos fatos novos e também as novas idéias concebidas, me renovo de maneira benéfica para meu aprimoramento como ser integrante de uma coletividade em sua maioria passiva aos acontecimentos.
Agora tenho minha identidade e minha causa. Não vivo mais naquele mundinho mais parecido com uma redoma de vidro, servindo de palco para o faturamento alheio de usurpadores da inconsciência maior.
Processo que se iniciou em 2005 e tomou corpo a partir do ano passado, tendo como futuro o encorpamento diário e reformulação da minha pessoa. Apareceu então, em meados de 2006, o novo José Aparecido dos Santos Júnior, repaginado e atualizado, pronto para lhe dar com a tarefa de crescer perante a realidade do seu mundo, da sua vida. Como dizia Raul: "prefiro ser essa metamorfose ambulante".